terça-feira, 17 de abril de 2012

As esperanças frustradas de Nicolas Sarkozy


Ainda há poucos dias, o presidente francês esperava voar para Abu Dhabi e assinar uma encomenda de 60 caças Rafale. Todo esforço que está sendo dedicado durante o seu mandato para obter um primeiro contrato de exportação para a principal aeronave militar francesa tem sido em vão.

Nicolas Sarkozy não conseguiu vender o Rafale em seus cinco anos. Este foi um dos seus poucos desafios meses após sua chegada ao Palácio Eliseu. Uma obsessão desencadeada pelo fracasso embaraçoso do Rafale em Marrocos, que preferiu comprar no outono de 2007 o F-16 norte americano.

Uma derrota, no entanto impensável e uma afronta ao novo presidente que ele era. Especialmente desde que, neste caso, sua responsabilidade não poderia ser cometida. Resultado, vender o Rafale tem se tornado ao longo do tempo um desafio. Tanto é que ele lutou até o último momento para convencer os Emirados Árabes Unidos para assinar um contrato no primeiro trimestre de 2012. Em vão.

No entanto, uma visita de Nicolas Sarkozy foi agendada para o dia 12 de fevereiro, e depois para março. Ele estava pronto para entrar num avião para Abu Dhabi para assinar esta encomenda de 60 aeronaves. Um pequeno estado do Golfo, a poucos quilômetros dos rivais iranianos, em que Nicolas Sarkozy ofereceu muita coisa, incluindo uma base comum juntamente com o fortalecimento do acordo de defesa de 1995, entre os dois países.

Este novo acordo prevê que os dois países decidem “em respostas comuns e específicas, adequadas, incluindo na área militar, onde a segurança, soberania, integridade territorial e independência dos Emirados Árabes Unidos são afetados.” Ele não voltou no presente contrato. Um fracasso pessoal, mesmo com a Dassault Aviation, que não queria ceder nada à margem do presente contrato, e nem sempre tem sido um parceiro fácil ao convencer os Emirados. Ele provavelmente vai ser assinado pelo próximo presidente. Cruel para Nicolas Sarkozy, se ele não foi reeleito em maio.

Sarkozy tentou tudo

A aventura da exportação Rafale tornou-se uma série de contratempos conforme analistas, próximo de entrar na sua quinta rodada de negociações, mas a situação é grave. Sem pedidos firmes. E ainda, no dia 18 de Junho de 2008, o secretário-geral do governo francês, na época, Claude Gueant, afirmou a “Europe 1″ que Paris iria em breve vender “centenas” de caças leves. Por enquanto, apenas estão em curso negociações exclusivas com os indianos para um contrato de 126 aeronaves.


Nos Emirados Árabes Unidos, Sarkozy ainda aposta na venda de 60 caças Rafale. (Foto: AP/Michel Spingler Pool)
Para vender o Rafale a todo custo, Nicolas Sarkozy tentou tudo, ou quase. Incluindo oferecendo-o a países onde há pouca chance de sucesso. Este foi o caso do Kuwait (14), embora tenha manifestado interesse pelo avião, ou Omã (12). Mas estes dois países do Oriente Médio, sob a forte influência dos EUA, e um deles com chances de comprar um caça britânico, não tinham margem de manobra para oferecer um avião competitivo. O presidente ainda teve perigosas iniciativas tentando oferecer armas ao coronel Kadhafi, quando ele chegou a Paris em 2007. O coronel viu, pelo menos, pouco antes de sua morte, toda a eficiência operacional do Rafale na campanha da Líbia (Operação Harmattan).

Brasil, esperanças frustradas

O Brasil, outro país, outro fracasso. O Presidente Lula havia prometido selecionar o Rafale pouco antes de sua partida em dezembro de 2010. Nicolas Sarkozy, que mais uma vez tinha pessoalmente investido, deu muito do seu tempo para ganhar esta encomenda para 36 aviões. No final, Lula não manteve sua palavra. Por quê? Mistério. Mas os rumores de propinas pairaram, com a presença de vários intermediários franceses, que aparecem hoje no mundo dos negócios em torno da “sulfurosa” presidente.

No entanto, em setembro de 2009, Nicolas Sarkozy estava em grande forma, em Brasília. “Tornou-se uma questão pessoal”, observou um especialista próximo da delegação. No domingo, antes de voar para Brasília, o chefe de Estado sentiu o sucesso na mão, e apesar de sua partida, nada foi adquirido, e os brasileiros ainda permanecem muito cautelosos sobre um possível anúncio. Mas vender o Rafale ainda era a prioridade desta visita relâmpago de 48 horas em Brasília, combinado o prazer de ver seu colega brasileiro, Lula, com quem teve, apesar de suas diferenças políticas, uma relação muito boa. “O vínculo afetivo que os uniu pode sugerir que tudo é possível”, dizia-se então.

A última esperança brasileira

Após o jantar fechado oferecido por Lula naquela noite, sentindo que poderia balançar a decisão e voltar para Paris com a promessa de venda, Nicolas Sarkozy se apegou. Ele retornou para ver, no final da noite, a delegação do Palácio Eliseu e da Dassault Aviation, cujo CEO Charles Edelstenne, pedindo-lhe para refazer aos brasileiros com sua mais recente proposta francesa de acordo com todas exigências. “Bata enquanto o ferro está quente e enquanto nós estamos lá,” ele exigiu. “As equipes vão trabalhar sem parar até o amanhecer, cerca de seis horas da manhã, e a oferta definitivamente vai convencer os brasileiros. Impelidos, eles não podem recusar.”

“Nicolas Sarkozy tem exaurido toda a delegação francesa, incluindo Edelstenne considerado indestrutível, com seu dinamismo”, disse um membro da delegação. “O chefe de Estado nos ocupa por 48 horas de trabalho por mês”, observou um membro da fabricante de aeronaves. Pois são negociações exclusivas – embora o termo não era esse – e tem puxado Dassault Aviation ao extremo. Ou melhor, o chefe de Estado, como indicado por Edelstenne: “Este é Nicolas Sarkozy que vendeu o Rafale, não é nós que merecemos o sucesso.” E ainda assim ele irá falhar. Novamente, o próximo presidente terá boa chance de assinar um contrato.

Suíça, um erro caro

Na Suíça, Nicolas Sarkozy levou um tiro no pé. Berna não gostou das palavras de Nicolas Sarkozy na cúpula do G20 em Cannes, quando ele denunciou as “deficiências” nos esforços da Suíça para evitar ser considerado um paraíso fiscal. “Nicolas Sarkozy fez provavelmente algo de errado conosco, não sei que,” disse então no dia 11 de novembro, o presidente da Confederação, Micheline Calmy-Rey. Podemos dizer que ele teve total responsabilidade por este fracasso…


O caça Rafale saiu como vitorioso na Índia, e ainda tem chances no Brasil, em Omã e no Catar. (Foto: Philippe Wodka)
Oficialmente Berna e, especificamente, o ministro encarregado da Defesa, Ueli Maurer, tem justificado a sua escolha, incluindo do Gripen sueco por razões orçamentais, e a oferta do Rafale está estimada por especialistas por uma diferença pequena. “Os argumentos financeiros têm sido fundamentais na escolha do tipo de aeronave”, confirmou o relatório oficial.

E a Índia?

Este é o lado positivo. O Rafale está na pole position, mas por enquanto, nada está assinado. Além disso, é difícil colocar este sucesso inicial com o crédito do governo, enquanto Nicolas Sarkozy intensifica os erros durante suas visitas à Índia. E foi o governo francês, no verão de 2007, que empurrou a Dassault Aviation, que estava muito hesitante para concorrer no concurso maravilhoso estimado em US$ 18 bilhões. Na época, a Dassault Aviation esperava garantias de Paris.

Assim como os Emirados Árabes e no Brasil, o próximo presidente deverá, logicamente, participar da assinatura do presente contrato na Índia. Será também, provavelmente, o caso do Qatar (entre 12 e 26), e talvez na Malásia (18). Ele vai em grande parte, ter a obsessão de seu antecessor…

Fonte: La Tribune

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