quarta-feira, 25 de abril de 2012

Embraer manda aviso para Força Aérea dos EUA


A brasileira Embraer ameaçou retirar-se da reedição do contrato político para compra de aviões de ataque leve para a Força Aérea dos EUA, se os requisitos das aeronaves forem alterados de forma significativa.

A fabricante brasileira de aviões e sua parceira dos EUA, a Sierra Nevada, ganharam o contrato no ano passado, mas este foi abruptamente cancelado em fevereiro depois que a Força Aérea dos EUA disse que sua equipe tinha fracassado na entrega da documentação para o negócio.

“Nós ainda estamos esperando que esse contrato não seja modificado de forma significativa”, disse Frederico Curado, presidente-executivo da Embraer, comentando sobre o processo de novo concurso. “Se isto ocorrer eu sinceramente não sei se nós vamos tentar novamente ou vamos dizer: ‘Bem, não temos a chance de qualquer maneira, então vamos apenas deixar de lado.”

O cancelamento do contrato, em que a Embraer iria fornecer 20 aviões turboélices de ataque Super Tucano para uso no Afeganistão, chega num momento politicamente sensível enquanto o Brasil e os EUA estão elaborando o seu primeiro acordo sobre cooperação defensiva em décadas.

Seguiu-se uma ação judicial contra a decisão de adjudicar o contrato à Embraer pelo outro único candidato para o contrato, a empresa baseada em Kansas Hawker Beechcraft, e a oposição ao acordo pelos republicanos no Senado dos EUA.

A Presidente do Brasil Dilma Rousseff levantou a preocupação com o negócio da Embraer ser cancelado durante uma reunião este mês com Barack Obama na Casa Branca.

O assunto também surge enquanto a fabricante de aeronaves Boeing dos EUA está competindo contra a Dassault francesa e a sueca Saab para garantir um negócio de bilhões de dólares para novos caças para a Força Aérea Brasileira.

Para a Embraer, apesar de valer apenas inicialmente US$ 355 milhões, o contrato representa um acordo importante para a sua crescente unidade de defesa, sob a qual está também o desenvolvimento de um novo avião de transporte, sistemas de vigilância e de aeronaves não tripuladas.

A defesa é vista como uma opção atraente para o crescimento da Embraer dado uma desaceleração na indústria global da aviação civil.

“O mais importante para nós é o selo de credibilidade ao vender para a Força Aérea dos EUA, para nós este foi um longo caminho, porque vai começar um relacionamento e você também tem esse potencial reconhecimento por outros clientes em potencial no mundo”, disse Curado .

Ele disse que a Força Aérea dos EUA estava começando o processo do novo concurso e a Sierra Nevada e a Embraer esperam saber mais esta semana sobre os novos requisitos.

Mas ele disse que se eles mudarem acentuadamente em relação ao primeiro turno, que a Força Aérea dos EUA tinha dito que só foi cancelado por razões burocráticas, a Embraer estaria preocupada que uma situação semelhante tenha se desenvolvido em relação a Airbus.

A fabricante do Airbus, a EADS, pensou que tinha ganho um concurso para um contrato de aviões de reabastecimento militar nos EUA para seu jato A330. Mas a EADS queixou-se que o projeto foi posteriormente refeito para atender o menor avião 767 da rival Boeing, enquanto os militares dos EUA disseram que o concurso foi realizado puramente no mérito.

Fonte: Financial Times

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