terça-feira, 24 de abril de 2012

Programas de ISR da Marinha e Forca Aérea Americana em risco


Invertendo uma tendência estabelecida há um ano atrás, o aumento do orçamento para as missões de ISR (sigla em inglês para Inteligência, Vigilância e Reconhecimento) já não é um fato consumado, e atualmente existe uma grande preocupação com a idade avançada das aeronaves, datalinks sobrecarregados, vulnerabilidades cibernéticas emergentes e os cortes cada vez maiores dos orçamentos de defesa.

“As missões de ISR estão tornando-se uma preocupação,” afirma uma alta patente da Forca Aérea Americana (USAF) que lida diariamente nestes programas. “Não há novos financiamentos. Nem sequer há dinheiro para continuar a operação com os atuais sistemas.”

As operações de ISR, guerra eletrônica e cibernéticas, que estão intrinsecamente ligadas, tecnicamente e operacionalmente, eram consideradas as missões mais importantes nas negociações do orçamento de defesa, mas os últimos cortes para o orçamento do ano fiscal de 2013 estão inclusive ameaçando os programas mais bem sucedidos.

“As aeronaves tripuladas de grande porte, particularmente os E-3B AWACS e os E-8C Joint Stars entre outros, dificilmente serão sustentáveis,” afirma. “Os aviônicos e motores disponíveis para essas aeronaves estão no limite da capacidade dos estoques. A frota de RC-135 (Rivet Joint, Cobra Ball e Combat Sent) estão resguardados, mas outras plataformas estão em risco. Não temos uma solução a curto prazo para esta crise orçamentária. Não há boas opções ou novos financiamentos. Estamos fazendo todos os esforços para ultrapassarmos esta situação. A maneira como operamos terá de ser revista.”

Se houver uma solução, poderá passar pelo desenvolvimento de famílias de veículos não tripulados (UAV) de pequenas dimensões que possam transportar uma variedade aceitável de carga e sensores e que rapidamente possam ser configurados de acordo com cada missão, de maneira a permitir uma boa flexibilidade. Com a possibilidade dos nossos futuros adversários possam dispor de uma capacidade de defesa antiaérea efetiva, estes novos sistemas terão que garantir o fluxo de coleta de informações mesmo que sejam abatidos.
“O conceito baseia-se na possibilidade de modificar rapidamente outra aeronave (para substituir a abatida) para que a missão possa continuar a ser cumprida,” afirma o oficial da USAF. “Por isso é que a Forca Aérea esta investindo fortemente em sensores de ISR e de ataque electrônico tecnologicamente avançados. Em vez de uma só aeronave, irá basear-se no conceito de enxames. Penso que haverá dois componentes: um UAV de combate stealth e um UAV tradicional mais barato e que possa ser construído e operado em larga escala. Estamos falando de robôs, e programa-se os computadores para operarem estes robôs e eles automaticamente fazem o seu trabalho. São necessários sistemas que possam operar em pistas improvisadas. Não será difícil se forem pequenos.”

Entretanto, nem toda a gente, especialmente os que estão envolvidos em operacoes de guerra cibernética, pensam que estes veículos tão pequenos, linkados entre si, e completamente autônomos estarão disponíveis num curto espaço de tempo.

“Primeiro, os UAVs pequenos não podem transportar sensores de tamanho considerável que possam efetuar vigilância e cobrir grandes áreas,” afirma um ex-militar com larga experiencia em guerra de redes. “Segundo, com a minha experiência em guerra cibernética, acredito no conceito de enxame, e que um dia possa ser viável.”

Fonte: Aviationweek

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