terça-feira, 11 de setembro de 2012

Mais problemas surgem no programa F-35 durante revisão do Pentágono


Líderes do Pentágono expressaram frustração sobre o ritmo de desenvolvimento do programa do jato de combate Lockheed Martin F-35 Joint Strike Fighter, avaliado em US$ 396 bilhões, numa revisão de alto nível apresentada nessa sexta-feira, de acordo com várias fontes familiares com o programa. As autoridades não aprovaram o plano abrangente para o teste operacional do programa F-35 como havia sido previsto.

O Conselho de Aquisição de Defesa do Pentágono ficou reunido por mais de quatro horas na noite de sexta-feira, numa reunião descrita por um participante como “muito dolorosa” dado os desafios contínuos enfrentados pela alta tecnologia do capacete do F-35, que é parte integrante de sistemas de armas da aeronave, e outros aspectos do enorme programa.

O Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, general James Amos disse numa entrevista no sábado que ele ainda não tinha sido informado sobre a reunião de sexta-feira, mas estava acompanhando de perto os trabalhos em andamento no capacete, desde que a sua conclusão é necessária para breve, para permitir que o corpo de fuzileiros possa se tornar o primeiro serviço a utilizar os novos jatos de forma operacional.

“O capacete é uma peça fundamental que precisa ser resolvido”, disse Amos, observando que os fuzileiros navais precisam urgente da aeronave de decolagem curta e pouso vertical (STOVL) para substituir seus antigos caças, que incluem os modelos mais antigos dos F/A-18 Hornets.

O Corpo de Fuzileiros Navais inicialmente esperava começar a utilizar os novos caças F-35B ainda este ano, mas uma série de reestruturações do programa empurrou a data por vários anos.

Se o programa de desenvolvimento do capacete, sendo desenvolvido pela Vision Systems International (VSI), uma joint venture entre a Elbit Imaging de Israel e a Rockwell Collins, for bem sucedido, este será o mais avançado capacete já construído.

Acredita-se que ele possa deixar os pilotos ver os dados de todos os sensores do F-35, de forma efetiva permitindo que o piloto possa olhar através do chão do avião e tudo ao seu redor. Mas o projeto está sendo executado com problemas na visão noturna, atrasos na apresentação dos dados, travamento sob certas condições, e mais recentemente, um brilho verde nas bordas da viseira e problemas com alinhamento.

A Lockheed Martin trouxe uma contratante alternativa, a BAE Systems, para trabalhar num capacete substituto, no caso do capacete da VSI não cumprir seus prazos. O atual gerente do programa F-35 junto a Marinha, o Almirante David Venlet, se reúne com funcionários da BAE Systems durante uma viagem à Grã-Bretanha e à Itália esta semana.

A Lockheed disse que o trabalho paralelo no capacete da BAE é de menor risco e poderia garantir que uma opção utilizável esteja disponível em 2014.

A Lockheed também está fornecendo um jato F-35 para permitir os testes dedicado do capacete nas próximas semanas, disseram as fontes.

Os funcionários da Lockheed, que não estavam na reunião do Pentágono, disseram na segunda-feira que os desafios tecnológicos enfrentados pelo programa estavam sendo abordados, e o programa estava fazendo um bom progresso.

“Esses tipos de desafios são normais num programa em desenvolvimento”, disse Steve O’Bryan, vice-presidente de desenvolvimento de negócios do F-35 na Lockheed Martin.

Ele disse que 87 por cento do software do F-35 já estava em uso nos caças F-35 que estavam voando, e 9,1 milhões dos 9,4 milhões de linhas de código necessárias para o jato estavam concluídas.

Integrantes da revisão do programa também discutiram os altos custos de manutenção e operação da aeronave, atrasos no desenvolvimento de software e os problemas contínuos com um sistema interno da Lockheed destinado a controlar o custo do programa F-35, disseram as fontes, que não foram autorizadas a falar publicamente.

Testes de vôo

As fontes disseram que os testes de voo do F-35 estavam indo bem, e os voos de formação inicial estavam ocorrendo na Base Aérea de Eglin, mas autoridades do Pentágono estão cada vez mais frustradas que as questões de tecnologia estão tomando muito tempo para resolver.

“Mais progresso é necessário na atividade do complexo desenvolvimento”, disse uma das fontes. “Existe frustração que isso não está acontecendo rápido o suficiente.”

A Lockheed está desenvolvendo e fabricando três variantes do novo caça F-35 para a Força Aérea, Marinha e Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA e para oito países estrangeiros que estão ajudando a financiar o seu desenvolvimento – Grã-Bretanha, Austrália, Canadá, Noruega, Dinamarca, Itália, Holanda e Turquia.

Funcionários da Lockheed diseram que o programa está fazendo progressos, mas os legisladores, como o Pentágono, não estão convencidos.

O diretor de testes e avaliação do Pentágono insiste que são necessários mais ensaios antes da Força Aérea e os Fuzileiros Navais iniciarem o treinamento dos pilotos.

A porta-voz do Pentágono Cheryl Irwin não quis comentar sobre a reunião a portas fechadas, exceto para dizer que foi destinada a fornecer uma atualização de status e não decisões importantes que foram feitas.

O Escritório Conjunto do Programa F-35 no Pentágono também não quis comentar, mas disse que as autoridades estavam mantendo uma estreita vigilância sobre o programa.

“Todas as questões técnicas são conhecidas e as soluções de engenharia estão sendo trabalhadas ou sendo desenvolvidas para fornecer o F-35 para o combatente”, disse Joe DellaVedova, porta-voz do programa.

Amos, do Corpo de Fuzileiros Navais, disse que o programa F-35 estava fazendo progresso, e ele não esperava grandes problemas novos, como as rachaduras do anteparo que haviam surgido nos últimos anos.

A Agência de Gestão de Contratos de Defesa do Pentágono também deu uma atualização sobre seu trabalho de monitoramento do sistema de Gestão de Valor Agregado da Lockheed, depois de anunciar em junho que iria reter cinco por cento do preço do quinto lote de aviões de produção, devido a deficiências contínuas com o sistema.

“Não estamos felizes que eles não estão certificados. No entanto, os dados que eles fornecem ainda são úteis para monitorar o desempenho do programa”, disse DellaVedova.

Fonte: Reuters

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