segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Lockheed comemora os 50 anos de operação dos aviões P-3 Orion

Uma das aeronave P-3AM Orion da Força Aérea Brasileira sobrevoa o litoral da Bahia. (Foto: Cb. Silva Lopes / Agência Força Aérea)
 A aeronave de patrulha marítima Lockheed P-3 Orion entrou em serviço com a Marinha dos EUA em julho de 1962. A partir do rastreamento de submarinos soviéticos na crise dos mísseis cubanos até as missões anti-pirataria sobre o Golfo de Aden, as equipes dos Orion voaram dezenas de milhares de missões sobre os mares e oceanos do mundo, e atualmente também em missões terrestres durante, durante as cinco décadas de operação. Veja a seguir um vídeo da história do P-3 Orion, produzido pela fabricante Lockheed, e um relato sobre a história do avião Lockheed Martin P-3 Orion, que tem definido o padrão global para as missões de reconhecimento e patrulha marítima.


 O P-3 surgiu como uma resposta à Especificação N°146 da Marinha dos EUA emitida em 1957 para uma nova aeronave de guerra anti-submarino (ASW) baseada em terra, visando substituir os aviões de patrulha marítima Lockheed P2V Neptune e os aviões anfíbios Martin P5M Marlin. As exigências muito específicas relativas ao cronograma de entrega e as restrições de custo ditaram a necessidade de adaptação de um projeto de aeronaves existentes para a missão de patrulha marítima.
O primeiro Orion, na verdade o terceiro Electra de produção, visto no solo em Burbank, momentos antes do primeiro voo após receber as alterações aerodinâmicas. (Foto: Erik Miller / Lockheed Martin)
 Os concorrentes na competição foram a Martin, a Consolidated, e a Lockheed, três empresas que haviam construído aeronaves de patrulha para a Marinha por mais de três décadas naquela época. O Atlantique francês, desenvolvido com a ajuda de fundos da Marinha dos EUA, não cumpriu a exigência de alcance definido e foi eliminado da competição.
A Lockheed inicialmente converteu as aeronaves Electras para testes aerodinâmicos do Orion, e a fuselagem precisou ser encurtada em cerca de 2 metros. Na foto engenheiros da Lockheed brincam de serrar a fuselagem do Electra para virar o YP3. (Foto: Lockheed Martin)
 A proposta da Lockheed destacou os motores turboélice do avião Electra e sua capacidade de alta velocidade em cruzeiro em grandes altitudes, baixa velocidade, fácil controle em baixa altitude e economia de combustível. Como o Electra foi projetado para operar a partir de aeroportos comerciais, a Marinha não teve que alterar suas pistas. O modelo 185 da Lockheed manteve as asas, cauda e os motores turboélices Allison T56-A-1 do Electra. O novo desenho apresentado era de uma fuselagem do Electra a ser reduzida em sete pés, e uma adicionada carga interna de armas para minas, cargas de profundidade convencionais ou nucleares, ou torpedos.

 A Lockheed foi nomeada como a vencedora da competição no dia 24 de Abril de 1958, e assinou o contrato em maio do mesmo ano. Um problema de design com as hélices do Electra e a montagem do motor resultou em vários acidentes, um fenômeno chamado “modo de giro”. Uma vez que o problema foi identificado, a Lockheed informou a Marinha as correções propostas, e o serviço estava satisfeito, com o desenvolvimento continuado.
O primeiro protótipo do P-3, um Electra de produção modificado e com uma maquete do MAD na cauda, durante o primeiro voo no dia 19 de agosto de 1958. (Foto: Lockheed Martin)
 A primeira aeronave Orion na verdade foi a terceira aeronave Electra de produção, com uma maquete de um detector de anomalias magnéticas, ou lança MAD, instalada na parte traseira do aparelho. O equipamento MAD, originalmente desenvolvido na Segunda Guerra Mundial, oferece as tripulações das aeronaves a capacidade de detectar objetos de metal sob a água. O muito melhorado MAD instalado no P-3 é o principal método que a tripulação utiliza para localizar submarinos. O demonstrador foi só um protótipo aerodinâmico e que ainda tinha as janelas do avião de passageiros. Ele voou pela primeira vez no dia 19 de agosto de 1958, e as equipes da Lockheed fizeram oito vôos com o avião. Esta aeronave foi novamente modificada para ser um protótipo completo, e então designada P3V-1.
O primeiro voo do protótipo real do P-3, designado YP3V-1, realizado em Palmdale, no dia 14 de outubro de 1960. (Foto: Larivee / Lockheed Martin)
No dia 15 de abril de 1961, a primeira aeronave P-3A de pré-produção voou pela primeira vez. Na foto acima, a aeronave P-3A (BN 148883) é oficialmente batizada de Orion, e depois em 1994 ela foi redesignada NP-3D. (Foto: Lockheed Martin)
 O primeiro vôo do protótipo YP3V-1 ocorreu no dia 25 de Novembro de 1959, na fábrica da Lockheed em Burbank, Califórnia, onde a maioria da aeronave seria construída. O nome Orion foi adotado oficialmente no final de 1960, mantendo a tradição de nomear as aeronaves da Lockheed com figuras mitológicas ou corpos celestes. A primeira aeronave P3V-1 de pré-produção foi apresentada no dia 15 de Abril de 1961, na fábrica da Lockheed em Burbank, Califórnia.
Em 1953, a aeronave P-3A passou por testes de condições de temperaturas extremas no laboratório Climático McKinley na Base Aérea de Eglin, Flórida. (Foto: Lockheed Martin)
Uma operadora de sensores da Marinha dos EUA a bordo do P-3 Orion durante missçao nas Filipinas em 2003. (Foto: Mate 1st Class Edward G. Martens / U.S. Navy)
 O Orion representou uma nova abordagem para a missão ASW. Era uma aeronave mais espaçosa do que as aeronaves de patrulha anteriores, com espaço para uma tripulação de até 12 pessoas, juntamente com beliches e áreas de descanso. Foi pressurizado e possuía ar condicionado. O P-3 tinha energia elétrica suficiente para incorporar sensores avançados e aviônicos. Foi a primeira aeronave do mundo dedicada a missões de patrulha marítima a ser alimentada por motores turboélice. O Orion também tinha um sistema de armas muito melhor que seus antecessores.
Uma aeronave P-3 realiza testes de patrulha marítima com a equipe da Marinha dos EUA no dia 2 de fevereiro de 1960. (Foto: Erik Miller / Lockheed Martin)
As aeronaves P-3 no seu primeiro destacamento operacional, no Vietnã, na Operação Market Time em fevereiro de 1969. (Foto: Lockheed Martin)
Um P-3C Orion sobrevoa um submarino nuclear em 2001. (Foto: Lockheed Martin)
A frota de testes Orion consistia de seis aeronaves. A fase de vistorias e inspeções dos testes com a Marinha dos EUA, a qual hoje é chamada de testes e avaliações operacionais, ocorreu de abril a junho de 1962, no que era então conhecido como o Centro Naval de Testes Aéreos na Estação Naval de Patuxent River, Maryland, e no Centro de Avaliação Naval de Armas em Albuquerque, Novo México.
Visto em 1963 no Havaí, dois P-3A da Marinha dos EUA e um par de P2V Neptunes, um da Força de Auto Defesa Marítima do Japão um da Real Força Aérea da Austrália (RAAF). (Foto: Lockheed Martin)
Vista da linha de montagem dos P-3 em Burbank. (Foto: Lockheed Martin)
Os primeiros P3V-1s foram entregues ao VP-8 no dia 23 de Julho de 1962 e para o VP-44 no dia 13 de agosto. A entrega consistiu essencialmente de mover a aeronave no pátio da Estação Naval de Patuxent River, já que ambos os esquadrões estavam baseados lá na época. Com a adoção do novo sistema de designação do Departamento de Defesa em 18 de setembro de 1962, o P3V-1 foi redesignado P-3A. Os primeiros esquadrões da Reserva Naval receberiam os P-3As em 1970.
Uma aeronave P-3A Orion durante testes de disparo de foguetes, em 1966. (Foto: W. Anneman / Lockheed Martin)
Cerca de 17 aeronaves P-3 Orion de diversas marinhas, visto durante o exercício RIMPAC em julho de 2010. (Foto: Mass Communication Specialist 2nd Class Meagan E. Klein / U.S. Navy)
Várias aeronaves Orion permanecem estocadas no Aerospace Maintenance and Regeneration Group (AMARG), na Base Aérea de Davis-Monthan, Arizona. (Foto: Mate 3rd Class Shannon R. Smith / U.S. Navy)
 A produção total de P-3s, incluindo as aeronaves fabricadas sob-licença, foi de 757 aeronaves – 158 P-3A, 125 P-3B, e 266 P-3C para Marinha dos EUA, além de 107 P-3C fabricados pela Kawasaky Heavy Industries, mais algumas aeronaves P-3B e P-3C fabricadas para países estrangeiros. Os últimos P-3Cs fabricados nos EUA foram oito unidades para a Marinha da República da Coreia, entregues em 1995. Hoje, a frota de P-3 em todo o mundo é de 435 unidades pilotadas por 21 operadores em 16 países de 5 continentes, com Taiwan programada para fazer parte da comunidade Orion em 2013 com aeronaves reformadas e com novas asas ex-Marinha dos EUA.
A Kawasaky Heavy Industries fabricou 107 aeronave P-3C para Força de Auto Defesa Marítima do Japão. (Foto: Lockheed Martin)
A Força Aérea Imperial Iraniana encomendou seis aviões P-3 em 1973. A versão P-3F era um Orion P-3B com aviônicos e sensores do P-3C. Acredita-se que apenas uma aeronave esteja em condições de voo, devido aos embargos de armas imposto pelos EUA ao Irã. (Foto: Lockheed Martin)
As última aeronaves P-3C Orion fabricadas foram para Marinha da República da Coreia. (Foto: Lockheed Martin)
Além de operadores militares, duas versões do P-3 são usadas pela US Customs and Border Protection principalmente para missões antidrogas e de segurança interna. A NASA adquiriu o protótipo YP3V em 1966 e voou com ele até 1993. Hoje a agência tem um NP-3B para missões de investigação científica. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, ou NOAA, tem dois WP-3Ds, apelidados de Caco e Miss Piggy, para a pesquisa meteorológica.
A US Customs and Border Protection voa duas versões do P-3, que são modificados P-3B, e são chamados de Double Eagle. (Foto: Lockheed Martin)
O NOAA voa com duas aeronaves designadas WP-3A apelidadas de Caco e Miss Piggy. (Foto: Lockheed Martin)
Apesar do P-8 Poseidon ser o substituto designado da Marinha dos EUA para os P-3, as equipes de Orion estarão ainda na ativa por vários anos futuros. Atualizados como EP-3E ARIES II, a aeronave de reconhecimento eletrônico será operada pelo menos até 2020.
A versão EP-3 de SIGINT debutou com os EUA na Guerra do Vietnã, e muitas aeronaves desse tipo ainda voam com os militares norte americanos, com a versão mais recente EP-3E ARIES II devendo permanecer em serviço até 2020. (Foto: Lockheed Martin)
A Noruega foi a primeira nação a encomendar kits de modernização MLU, para seis aviões P-3 Orions. (Foto: Lockheed Martin)
 Mas outros operadores pretendem continuar voando seu P-3s por muitos mais anos. Para manter o Orion por pelo menos uma década até completar 60 anos de serviço, a Atualização Mid-Life (MLU) do P-3 é um kit de extensão de vida que substitui as parte externa das asas do avião, o centro da asa, e o estabilizador horizontal com novos componentes de produção. O MLU remove todas as atuais estruturas com restrições de vôo do P-3 e oferecer 15 mil horas de voo adicionais.
Três aviões P-3 Orion da Marinha dos EUA com especiais esquemas de cores para comemorar o Centenário da Aviação Naval dos EUA. (Foto: Chief Mass Communication Specialist William Lovelady / U.S. Navy)
 A Marinha dos EUA tem 31 kits MLU encomendados. A Lockheed Martin constrói as asas externas na sua fábrica de Marietta, e os kits são instalados no Centro de Prontidão da Frota Sudeste, o depósito da aviação na Estação Naval de Jacksonville, Florida. Novas asas também estão sendo construídas para os P-3 voados pela Noruega, Canadá, Taiwan e pelo US Customs and Border Protection.
As novas asas dos Orion sendo fabricadas no Fleet Readiness Center Southeast, na Estação Naval de Jacksonville, Florida. (Foto: Lockheed Martin)
 No Brasil, os nove P-3AM Orion foram também adquiridos de aeronaves estocadas em Tucson, Arizona, mas foram convertidas e modernizadas pela EADS na unidade da Airbus Military de Getafe, próximo a Madri, Espanha. Três aeronaves já estão sendo operadas pelo 1°/7° Grupo de Aviação, o Esquadrão Orungam, baseado em Salvador.

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