terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Bombardeiros Tu-22M3 para China: verdade ou mentira?


No final de dezembro de 2012, sites chineses de imprensa não oficial renovaram a informação que o país teria fechado um acordo com a Rússia para a produção licenciada do bombardeiro supersônico de longo alcance Tupolev Tu-22M3 Backfire, incluindo a informação que a China teria adquirido a linha de montagem dos bombardeiros russos. Até o momento, tanto Moscou como Pequim não confirmaram tal notícia, e um analista militar sênior do Exército de Libertação Popular (PLA) não tem dado crédito para tal especulação.

Dentre as mais recentes reportagens, dentre elas a divulgada aqui, sugerem também que 36 unidades do bombardeiro da época da Guerra Fria poderiam ser produzidos para a Marinha Chinesa (12 de um pedido firme e mais 24 numa intenção de compra posterior), onde seria designado H-10 e usado no papel de ataque marítimo. Eles poderiam ser equipados com mísseis ar-superfície de longo alcance, comprados da Rússia (possivelmente o Raduga Kh-22 (AS-4 ‘Kitchen’)) ou fabricados no país. A compra seria para substituir a frota de bombardeiros H-6, que são versões fabricadas na China de um projeto ainda mais antigo da Tupolev, o Tu-16 “Badger”.

Tanto a mídia chinesa como os fóruns de discussão on-line estão exultantes sobre o suposto desenvolvimento chinês. Com um alcance de 6.800 km, o Tu-22M3 é capaz de atingir a segunda cadeia de ilhas no Pacífico, partindo do continente chinês. Pequim tem abertamente reivindicado a soberania sobre o Pacífico ocidental, num desafio direto à política estratégica dos EUA. Os chineses implantaram mísseis balísticos em províncias costeiras, e dizem ser capazes de atacar os grupos de batalha embarcados da Marinha dos EUA, embora questões de fácil localização no solo e precisão permanecem. O H-10 poderia aliviar o problema do posicionamento, embora pelo grande tamanho ele ainda seja um alvo fácil, a não ser operado a níveis muito baixos. A mídia chinesa expressou grandes esperanças pelo supersônico Tu-22M3, conhecido como o “carrier killer” durante a Guerra Fria, para se tornar a arma da China de negação efetiva da área marítima.

No entanto, o exército chinês não parece estar tão feliz. O Coronel Du Wenlong, um pesquisador da Academia de Ciência Militar do Exército de Libertação Popular, disse numa entrevista recente com a Hubei TV que o Tu-22 é um projeto antigo, que, como um bombardeiro estratégico, não goza de vantagem sobre seus equivalentes dos EUA, como o B-1 e B-2.

“Eu pessoalmente acho que as chances do Tu-22M3 se juntar à força aérea chinesa como um bombardeiro de ataque estratégico não são altas”, disse Du. “As aeronaves embarcadas E-2 Hawkeye de alerta antecipado da Marinha dos EUA têm um alcance de detecção de mais de 400 km contra modernos caças cuja seção reta radar é muito menor do que a do Tu-22M3″, acrescentou Du para o site AIN Online.

Outro site especializado em defesa, o The Aviationist, afirma que a notícia não é nova, já que é a terceira vez em 7 anos que sites chineses falam sobre esse assunto. A primeira vez foi em 2005 e a segunda no começo de 2012. Mas reforça a ideia que os chineses tem o objetivo de proteger ou dominar uma área com grande alcance marítimo no Pacífico, podendo enfrentar a Marinha dos EUA através dos bombardeiros Tu-22M3 equipados com mísseis de ataque de longo alcance.

Mas toda essa intenção chinesa somente terá validade se a notícia for realmente confirmada por órgãos oficiais chineses ou russos, isso se realmente vier a ser confirmado. O que realmente importa é que os chineses já demonstraram durante 2012 que realmente não estão brincando quando o assunto é investimento em armamentos.

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