sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Eficiência e eficácia melhoram saídas dos F-16 da Força Aérea de Portugal


O site da Força Aérea Portuguesa (FAP) divulgou um interessante artigo sobre à melhoria da prontidão e eficiência da frota de caças F-16 da Força Aérea Portuguesa. O artigo está reproduzido na íntegra abaixo.

Os sistemas de armas da Força Aérea Portuguesa têm características de elevada qualidade, seja em velocidade, mobilidade, alcance e flexibilidade. São propriedades de meios exclusivos que têm por missão a defesa militar de Portugal, através de operações aéreas e de defesa do espaço aéreo nacional português.

Um desses meios é a aeronave F-16AM MLU Fighting Falcon, operada pela Esquadra 201 “Falcões” e pela Esquadra 301 “Jaguares”, que reúne todas essas qualidades e capacidades, essenciais para a execução de missões de Luta Aérea Defensiva, Operações de Apoio Aéreo Ofensivo, Luta Aérea Ofensiva, Interdição Aérea e Apoio Aéreo a Operações Marítimas. É a principal “arma de ataque” da Força Aérea de Portugal, responsável pela segurança aérea do país, sendo também o seu representante máximo no complexo contexto geoestratégico e geopolítico da atualidade.

Para cumprir a sua Missão em território nacional, bem como para responder às crescentes exigências das missões da OTAN, a Força Aérea Portuguesa implementou um projeto que visa não só o aumento da capacidade de manutenção e operacionalidade desta aeronave, como também a maximização, rentabilização de processos de trabalho e redução de custos de sustentação.

Neste sentido, em outubro de 2007, foram implementadas pela primeira vez novas metodologias de trabalho na Doca 4 (Base Aérea Nº5, Monte Real), das quais se destacam as Lean Techniques (quanto mais rápida a reparação de uma aeronave num determinado processo de trabalho, mais rápido esta poderá ser colocada no terreno para executar a sua missão), nas áreas de manutenção periódica do F-16, na cadeia de abastecimento e reparação de material da aeronave. A Base Aérea Nº5 prosseguiu este projeto em janeiro de 2011 com o objetivo de melhorar e otimizar a geração de saídas do F-16, incluindo o treino, planejamento operacional e manutenção na linha da frente.

Para atingir estes objetivos foi efetuado, no início deste ano, o mapeamento da cadeia de valor destes processos, tendo sido identificadas boas oportunidades de melhoria em aspetos relacionados com: a elevada dispersão das aeronaves; a sazonalidade das saídas; alterações ao planejamento; duração da preparação das aeronaves pelos CrewChiefs e Loaders; duração e forma da qualificação de pilotos e mecânicos.

A implementação e execução de novos procedimentos nestes processos confirmou os objetivos de: redução do tempo efetivo de preparação das aeronaves em 15%; redução em 50% do tempo total de qualificação de pilotos e mecânicos, bem, como o número de instrutores; eliminação dos cancelamentos de saídas; redução do número de alterações de aeronaves atribuídas para as saídas em 50%.

Foi ainda criada uma situação futura de acordo com os princípios do Lean Thinking (cultura de produção e melhoria contínua), em que se identificaram várias melhorias das quais se destacam a necessidade de criação de uma equipe de reparações rápidas (menos de 6 horas de reparação), a redefinição da equipe e processo de Launch/EOR, a centralização do planejamento e controle da execução das saídas, e relocalização do equipamento de apoio segundo a otimização do “layout” da BA5.

Nesta área, o trabalho prosseguiu até maio, altura em que se realizou um evento “2P – Process Preparation” que teve como objetivos criar um plano de implementação mais detalhado para o novo processo de geração de saídas, avaliar o layout futuro da BA5 e detalhar os procedimentos das futuras equipes.

Paralelamente a este evento, foram efetuados trabalhos de melhoria rápida na cadeia de abastecimento e reparação de material do F-16, para tornar operativas todas as caixas dispensadoras de material no hangar da manutenção, com vista a estabelecer níveis mínimos de reaprovisionamento no armazém principal, na linha da frente e armamento.

Este projeto de melhoria da geração de saídas do F-16, delineado num plano de ação com seis eventos de melhoria rápida (metodologia de 7 semanas por evento) a executar até ao final do ano, permite e irá tornar as operações aéreas, de manutenção e de abastecimento de material, mais eficientes e eficazes, através do enfoque na criação de valor, eliminação do desperdício, redução de custos e melhoria contínua.

Texto: Tenente-Coronel Pedro Salvada / Engenheiro de Aeródromos da Força Aérea de Portugal

Nenhum comentário:

Postar um comentário