sábado, 16 de fevereiro de 2013

Força Aérea do Afeganistão pede urgentemente por novas aeronaves


A jovem Força Aérea do Afeganistão está mais para uma bicicleta do que uma máquina de combate moderna, disse seu comandante, pedindo aeronaves avançadas para combater o Talibã enquanto as forças da OTAN lideradas pelos EUA se preparam para retirada.

O poder aéreo é crucial para um país acidentado, onde uma rede de estradas pobres muitas vezes é minado por insurgentes, e o governo afegão está pressionando para que os EUA aumentem a sua capacidade aérea antes que os militares norte americanos partam no próximo ano.

“Nós vamos enfrentar enormes e complicados desafios se os americanos não nos fornecerem esses aviões”, disse o major-general Abdul Wahab Wardak à AFP, listando uma série de aviões de ataque e de transporte que o Afeganistão precisa.

Em Washington, na terça-feira, o presidente Barack Obama anunciou que 34 mil tropas dos EUA sairão do país até o final de 2013, com a metade restante deixando o país até o final de 2014, levando com eles o seu poder de fogo muito superior.

Durante os últimos 11 anos, uma vasta frota de aviões de combate, helicópteros de ataque, aviões não tripulados e aeronaves de transporte da OTAN têm apoiado as tropas terrestres em operações contra os talibãs.

As aeronaves da coalizão no Afeganistão no ano passado, voaram 28.640 surtidas de apoio aéreo aproximado, disparando suas armas 4.082 vezes, de acordo com dados oficiais. Os drones dispararam 494 vezes.

Essas aeronaves também voaram dezenas de milhares de missões de vigilância e voos de transporte de tropas e de carga.

Os EUA estão negociando deixar uma pequena força residual no Afeganistão depois de 2014, mas o poder aéreo esmagador desaparecerá.

Como parte de sua estratégia de saída, Washington está ajudando a reconstruir a Força Aérea Afegã (AAF) – que atualmente não tem aviões de ataque asa fixa – mas o governo se queixou de que o processo é muito lento.

O chefe da força aérea, um ex-piloto de caça MiG-21 durante a ocupação soviética nos anos 1980, remonta aos velhos tempos, quando a força aérea afegã foi uma potência regional.

“Para esclarecer a comparação da força aérea que teve no passado com o agora, vou dar-lhe este exemplo”, disse ele.

“Naquela época, era como se estivesse montando um veículo blindado. Hoje é como se você estivesse andando de bicicleta”. A antiga força aérea desapareceu em nuvens de fumaça durante a guerra civil que se seguiu à retirada dos soviéticos, em 1989, após 10 anos de ocupação.

“Houve desunião entre nós, começaram a brigar entre si, nós lutamos entre nós e destruimos a nossa força aérea”, disse Wardak.

“Mas nós aprendemos, nós sabemos que precisamos de unidade para a construção militar e do país.”

As palavras foram ditas no escritório de Wardak, em um grande composto financiado pela Força Aérea dos EUA, adjacente ao aeroporto internacional de Cabul, mas como muitas coisas novas no Afeganistão é mais quimera do que substância.

“Temos muitos pilotos, mas sem aviões”, confidenciou um oficial à frente da entrevista.

As aeronaves em operação atualmente em uso pela AAF incluem 43 helicópteros russos – principalmente Mi-17 de transporte e mais seis helicópteros Mi-35 – disse um porta-voz do comando de treinamento aéreo da OTAN em Cabul.

A força aérea afegã também tem de aeronaves de transporte de asa fixa, incluindo 16 italianos C-27s, mas eles ficaram sem voar por vários meses no ano passado e estão sendo retirados de serviço.

“Os EUA prometeram nos dar quatro aviões de transporte C-130, e também prometeram dar 20 aeronaves de ataque leve AT-6″, disse Wardak.

A Força Aérea dos EUA (USAF) anunciou no ano passado que estava reabrindo um concurso para um contrato que prevê a construção de 20 aviões de ataque leve para o Afeganistão, após o cancelamento de um prêmio para o Super Tucano da Embraer do Brasil.

A decisão final sobre o contrato ainda não foi anunciada, embora os primeiros aviões devem ser entregues no segundo semestre de 2014.

“A Força Aérea está trabalhando para preencher o pedido do Ministério de Defesa afegão para quatro C-130Hs”, disse o porta-voz da Força Aérea Ed Gulick.

“Além disso, a USAF está trabalhando na seleção da fonte para aeronaves de apoio aéreo leve (LAS) para a Força Aérea do Afeganistão.” Os aviões de transporte C-27, também conhecidos como G222s, eram esperados para servir como meio de transporte aéreo na AAF por até 10 anos após o primeiro ser entregue em 2009.

Mas “as limitações de desempenho da aeronave e do contrato fizeram com que a Guarda Costeira dos EUA buscasse um sistema substituto aos G222 num ritmo muito mais rápido”, disse Gulick.

“A data do fim das operações de voo ainda está para ser determinada.” O presidente Hamid Karzai, em uma entrevista coletiva no mês passado, disse que os EUA tinham também concordado em fornecer aviões para a coleta de informações, mas o movimento não foi confirmado.

Wardak disse que, para se defender contra ameaças regionais em uma das áreas mais instáveis ??do mundo, o país também precisa de aviões de caça, juntamente com sistemas de defesa anti-aérea e de radar.

Os governos da OTAN e do Ocidente, ávidos para sair de um conflito cada vez mais impopular, falam constantemente na capacidade das forças de segurança afegãs para assumir a luta sozinho.

Mas os soldados e policiais afegãos já estão morrendo em taxas cinco vezes maiores que as forças da OTAN e sem apoio aéreo ficarão ainda mais vulneráveis.

Fonte: AFP

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