quarta-feira, 24 de abril de 2013

Polêmica na Suécia: defesa dormiu e não seguiu os ‘coelhos da Páscoa’ russos


No Domingo de Páscoa, bombardeiros e caças russos realizaram exercício perto da fronteira simulando ataque à Suécia, mas nenhum caça sueco decolou para vigiá-los, gerando discussões sobre a prontidão da defesa

Nos últimos dias, a edição sueca do jornal “The Local” vem publicando notícias sobre o impacto, na Suécia, de exercícios realizados pela Força Aérea Russa na madrugada do último Domingo de Páscoa, 30 de março. A polêmica começou na última segunda-feira, 22 de abril, quando o jornal Svenska Dagbladet revelou que dois bombardeiros russos Tu-22, escoltados por quatro caças Su-27, realizaram um exercício simulando um ataque à Suécia a menos de 40 km da fronteira sueca.

A Suécia deveria ter dois jatos JAS Gripen prontos para decolar e identificar os aviões estrangeiros, mas eles não foram acionados quando o incidente ocorreu. Ao invés deles, dois caças da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) desdobrados numa base na Lituânia decolaram para “sombrear” (acompanhar em voo, de perto) os aviões russos.

O incidente reacendeu o debate sobre as Forças Armadas da Suécia serem capz de defender o país. O parlamentar Peter Hultqvist, que chefia o Comitê de Defesa, afirmou: “Devemos estar preparados qualquer dia do ano. A realização de um exercício de bombardeio contra alvos suecos me faz lembrar da Guerra Fria. Isso confirma nossa imagem de que a Rússia está levando a sério a questão de ampliar sua capacidade militar”.

A quantidade de vezes que esse tipo de exercício é realizado é informação secreta, mas a vizinha Noruega também vem enfrentando incidentes do tipo nos últimos anos. Isso é mantido secreto na Suécia, mas era de divulgação mais comum durante a Guerra Fria.

Para a ministra da Defesa da Suécia, Karin Enström, o incidente confirma sua visão de que a Rússia está se reforçando: “Nós vemos que eles têm intensificado seus exercícios de treinamento e que agem de uma forma diferente. Isso é, evidentemente, algo em que estamos de olho.” A ministra completou: “As Forças Armadas da Suécia devem estar preparadas mas os detalhes exatos sobre como estão preparadas é algo que não vou comentar em público. As Forças Armadas julgam cada caso individualmente.”

O Partido Liberal Sueco (Folkpartiet) historicamente se mostra com a menor animosidade sobre a Suécia se juntar à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Seu porta-voz para Política Externa, Allan Widman, disse que o partido levou muito a sério o incidente da Páscoa: “Isso também se refere a intensificar nossa cooperação com outros países quando isso impacta nossa segurança, e nesse sentido eu penso em como poderíamos nos aproximar da OTAN.”

Já o ministro das Relações Exteriores da Suécia, Carl Bildt, não acredita que a falta de uma resposta da Suécia foi algo alarmante: “Nós não reagimos a tudo, não estamos no ar para todas as coisas e não deveríamos estar.” Ele não pretende pedir explicações do Governo Russo.

No exercício russo do último Domingo de Páscoa, seis aviões voaram de São Petersburgo na meia-noite do dia 29 de março. Dois deles eram bombardeiros Tu-22M3, escoltados por quatro caças Su-27. As aeronaves se dirigiram ao extremo leste do arquipélago de Estocolmo e, ao invés de continuar os exercícios mudando a rota para o sul, rumo a Kalingrado (enclave russo entre a Lituânia e a Polônia), nas primeiras horas do Domingo de Páscoa os jatos se dirigiram para a Suécia e sobrevoaram Gotska Sandön, uma ilha sueca não habitada do Mar Báltico.

De acordo com fontes militares, foram simulados ataques contra Estocolmo e sul da Suécia. Caças da Força Aérea Sueca não decolaram para acompanhar os aviões russos, e o incidente não foi negado. O tenente-general Anders Silver do Comando das Forças Armadas, afirmou: “Posso confirmar que eram doisa bombardeiros Tu-22 com caças Su-27 de escolta. Eles permaneceram sobre espaço aéreo intenacional em Gotska Sandön e realizaram algum tipo de exercício. Em seguida, voltaram de onde vieram.” Sobre a resposta sueca, o tenente-general acrescentou que a Força Aérea estava “normalmente bem preparada.”

O incidente ocorreu apenas dois meses após a ministra da Defesa Karin Enström discutir o estado de prontidão da Suécia em um discurso: “O alvo da política de eegurança, preparação pra crises e defesa é estar pronto para o imprevisto todo o tempo, todas as horas.”

FONTE: The Local

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