quinta-feira, 30 de maio de 2013

Japão pronto para venda de aviões anfíbios US-2 para Índia


O Japão está perto de assinar um acordo para o fornecimento de aviões anfíbios para a Índia, segundo um relatório divulgado na segunda-feira, o que seria a primeira venda de equipamento militar usado desde que a proibição de exportação de armas foi imposta.

Durante uma visita de quatro dias a Tóquio pelo primeiro-ministro indiano Dr. Manmohan Singh, programada para começar no início da semana, os dois lados decidiram para firmar os acordos para que a Índia possa comprar os aviões US-2, uma aeronave internamente desenvolvida e usada pelas forças armadas japonesas.

A venda, relatada pelo jornal Nikkei, seria a primeira de um produto finalizado feito pela indústria de defesa nacional do Japão desde que foram impostas as regras que restringem a exportação de sistemas de armas e outros equipamentos. Ela também marcaria o fortalecimento da aliança entre o Japão e a Índia, enquanto ambos vêem a ascensão da China como uma ameaça à estabilidade regional.

“Se o Japão e a Índia assinarem o acordo, seria o primeiro acordo desse tipo”, disse Zhou Yongsheng, professor de Relações Externas da Universidade da China, em Pequim. “A região tem medo de ser dominada por uma China em ascensão, e o governo japonês já conquistou a Índia e outros países asiáticos com tentações militares e econômicas para levá-los a cooperar com os japoneses para conter a ascensão da China.”

Especialistas dizem que a aeronave deve ser classificada para uso civil se for para cumprir com a proibição de 1967 para o Japão sobre as exportações de armas, parte de uma medida anti-militarista pós-guerra.

O US-2, desenvolvido pela ShinMaywa Industries, foi vendido para a Marinha japonesa a um preço de cerca de 10 bilhões de ienes. Ele tem um alcance de 4.700 km e pode pousar em mares com ondas de até três metros.

“Se o US-2 for exportado para a Índia para uso civil, esse seria o primeiro caso de exportação de armamento desenvolvido no Japão e usada pelo Ministério da Defesa para uso civil”, disse um funcionário do Ministério do Comércio encarregado da venda de armas.

A ShinMaywa abriu um escritório de vendas em Nova Delhi no ano passado e vem promovendo o avião na região, disse um porta-voz da companhia. O Nikkei disse que a Índia estava procurando adquirir pelo menos 15 das aeronaves.

Japão tem procurado expandir o mercado para sua indústria de defesa. O país tem exportado tecnologia ou partes de equipamentos militares, mas não acabados.

“O governo japonês começou a perceber que a Índia é um mercado cada vez mais importante e eles compartilham um amplo interesse comum para conter a China”, disse o Presidente da Associação Chinesa para Estudos do Sul da Ásia, Sun Shihai. “A venda dos aviões é uma das estratégias do governo japonês para construir um melhor relacionamento com a Índia. No entanto, isso não afetará a política da Índia para a China.”

O avião pode ser considerada como sendo não militar – por exemplo, para busca e salvamento – caso os sistemas de identificação de “amigo ou inimigo” sejam desativados, disseram as autoridades, tornando-se elegíveis para a exportação.

Em 2011, Tóquio aliviou a proibição de exportação de armas, abrindo o caminho para as empresas japonesas para participar de projetos multinacionais de armas.

As conversas relatadas sobre as vendas “baseiam-se em decisões políticas feitas há alguns anos para que o Japão possa apoiar a sua indústria de defesa, desviando a tecnologia militar para o uso civil com a exportação”, disse Takehiko Yamamoto, professor de relações internacionais na Universidade de Waseda. Caso contrário, as principais empresas japonesas “não serão capazes de manter suas equipes de engenheiros para desenvolver a tecnologia militar, que é essencial para a defesa do Japão”, disse ele.

Fonte: AFP, via South China Morning Post

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