segunda-feira, 29 de julho de 2013

A nova geração de aviões chineses

Wang Xiaomo, membro da Academia de Engenharia da República Popular da China, disse em entrevista ao Diário do Povo que a próxima geração de aviões chineses equipados com o sistema de alerta aéreo antecipado e controle (AEW&C, na sigla em inglês) poderá ultrapassar todos os concorrentes estrangeiros.

É incontestável que a China logrou enormes êxitos no desenvolvimento de aeronaves AEW&C de fabrico nacional. Uma primeira tentativa de criar um avião desse tipo foi empreendida ainda no final dos anos 1960, utilizando para tal o antiquado bombardeiro soviético Tu-4, tentativa que não foi bem-sucedida. Já na década de 2000, a China conseguiu desenvolver e produzir em série quase simultaneamente três tipos de aeronaves AEW&C, nomeadamente, o KJ-200, o KJ-2000 e o ZDK-03 – uma modificação de exportação destinada à Força Aérea do Paquistão. Além disso, é de conhecimento público que estão sendo levados a cabo trabalhos para criar o JZY-01, um protótipo do avião AEW&C embarcado.

Todos os aviões AEW&C chineses utilizam, como se sabe, radares de varredura eletrônica ativa. Os KJ-2000, sendo de maior porte, possuem radares mais potentes com refrigeração a água. Nos KJ-200 e ZDK-3, de menor envergadura, são usados radares menos potentes com refrigeração a ar.

Os trabalhos de desenvolvimento das aeronaves AEW&C vêm sendo concentrados no Instituto de Pesquisas número 38, pertencente à CETC (Companhia Chinesa de Equipamento Eletrônico e Informático). O Instituto é um importante centro de desenvolvimento de equipamento eletrônico e radares não só para as Forças Armadas mas também as agências de segurança nacional da China.

No entanto, os trabalhos com vista a desenvolver elementos tão importantes do equipamento radiolocalizador, como ogivas autoguiadas para mísseis ar-ar e radares para caças-bombardeiros, estão sendo realizados num outro centro, o Instituto de Tecnologias Eletrônicas de Leihua.

O próprio Wang Xiaomo trabalhou durante a maior parte de sua vida no Instituto de Pesquisas Nº38, desde a fundação do último, exercendo o cargo de diretor entre 1986 e 2001. Foi ele que encabeçou as equipes de desenvolvedores dos aviões KJ-200 e KJ-2000. Contudo, o responsável imediato pelo design dos radares para os referidas aeronaves foi outro destacado especialista chinês em radiolocalização, U Man Ching. Aos 36 anos, U Man Chingele se tornou diretor do Instituto de Pesquisas No38 e aos 44 foi eleito acadêmico.

O grande número de galardões obtidos por Wang Xiaomo e U Man Ching é uma prova convincente de que os líderes políticos do país e o comando do Exército de Libertação Popular da China têm em alto apreço o progresso do equipamento de radiolocalização de origem chinesa.

Não obstante, as conclusões sobre a “supremacia” da tecnologia chinesa sobre os semelhantes tipos de equipamento concebido e fabricado em outros países podem ser prematuras. Esse equipamento é extremamente complexo e muitas vezes acontece que, após ter sido aprovado para entrar no serviço das Forças Armadas, passam vários anos antes que sejam eliminadas pequenas imperfeições. Enquanto isso, no papel, quer dizer, em termos formais, as características táticas e técnicas irão parecer únicas em seu gênero.
No artigo dedicado a Wang Xiaomo, o Diário do Povo faz notar que o comando de caças diretamente a partir de uma aeronave AEW&C foi efetuado, pela primeira vez, durante as manobras de 2012 no Noroeste da China, embora os KJ-200 tivessem entrado no serviço operacional em 2009 e os KJ-2000 ainda mais cedo.

Ficam comprovadas desta forma as conjeturas de alguns especialistas de que, até recentemente, as aeronaves AEW&C chinesas só transmitiam dados para um centro de comando em terra que, com base neles, controlava os caças, o que provocava perdas de tempo no processo de comando. Esse fato pode comprovar a existência de dificuldades técnicas ou de caráter organizativo, para cuja superação será necessário certo tempo.

 O Instituto de Pesquisas No38 é interessante não só por suas realizações bem-sucedidas mas também por ter vínculos estreitos com a Rússia. Assim, uma das subdivisões importantes do Instituto é o Centro de Adaptação de Novas Tecnologias Russas.

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