terça-feira, 13 de agosto de 2013

F-X2 - Comandante da Aeronáutica defende aquisição de "novos" caças em Audiência Pública

Em audiência pública realizada no Senado Federal nesta terça-feira (13/8), o Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Juniti Saito, defendeu a aquisição de novos caças para a Força Aérea Brasileira como um passo fundamental para que o Brasil possa ter uma defesa aérea adequada para a importância do País e também como incentivo à indústria nacional. "O foco principal desse projeto não é só comprar um avião de prateleira, e sim desenvolver junto com o parceiro escolhido uma tecnologia nacional", afirmou.

O relatório elaborado pela Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC) apontou que três aeronaves cumprem os requisitos estabelecidos pela FAB: o francês Rafale, o norte-americano Super Hornet e o sueco Gripen NG. O programa F-X2, como foi batizado o processo seletivo, está agora em fase de análise político-estratégica, feita pela Presidência da República.

O Senador Ricardo Ferraço, presidindo a audiência, mostrou-se preocupado com a demora para aquisição dos caças. "Atualmente seguem indefinidos os rumos do projeto F-X2", disse. O projeto foi iniciado há 18 anos, com a elaboração dos primeiros requisitos operacionais.

De acordo com o Brigadeiro Saito, a expectativa é que a decisão final seja tomada em curto prazo. Contudo, depois de anunciado o vencedor, serão necessários mais 12 meses para as negociações referentes à assinatura do contrato e mais quatro anos para receber as primeiras unidades.

Apesar disso, o Brigadeiro Saito disse que a FAB tem um planejamento para realizar a defesa aérea no Brasil e que trabalha com colaboração com a Presidência em um clima de "expectativa". "Eu não faço pressão sobre o governo. Apenas colocamos a realidade dos fatos", explicou. Lembrou ainda que a seleção feita pela FAB tem caráter técnico, e deve ser complementada por uma visão estratégica do País, realizada no nível de Chefe de Estado.

Relatório de 28 mil páginas beneficia indústria nacional
O Presidente da COPAC, Brigadeiro José Augusto Crepaldi, apresentou detalhes do processo seletivo realizado pela Força Aérea. O relatório possui 121 volumes e mais de 28 mil páginas, em um processo que envolveu análises de propostas, voos de avaliação, visita às indústrias e comparações de aspectos como compensações comerciais e de transferência de tecnologia.

"O objetivo do trabalho é assessorar as autoridades competentes na tomada de decisão", resumiu o Brigadeiro, que ressaltou cada uma das etapas realizadas. Uma delas foi o convite para que empresas nacionais apontassem quais áreas seriam mais estratégicas para a transferência de tecnologia. "O F-X2 vai trazer um salto tecnológico para a Embraer e o nosso parque tecnológico e capacitá-los para o futuro".

Ele lembrou a trajetória da empresa, criada no âmbito do Comando da Aeronáutica. Desde o início da década de 70, contratos militares tem permitido que o Brasil tenha acesso às tecnologias necessárias para o desenvolvimento de aeronaves para a aviação civil. Foi o caso do jato subsônico A-1, criado em uma parceria com a Itália nos anos 80. Os conhecimentos adquiridos permitiram que a Embraer desenvolvesse a família de jatos de transporte regional que são exportados para todo o mundo.

Na visão do Presidente da COPAC, o atual desenvolvimento do cargueiro militar KC-390 e a participação da indústria nacional no futuro F-X2 devem trazer resultados parecidos. Entre as principais áreas tecnologias a serem absorvidas pelo Brasil estão a estrutura das aeronaves e os sistemas eletrônicos de bordo, dentre outras.

Fonte: Agência Força Aérea

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