quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Presidente da Aerolíneas admite interceder contra LAN

O presidente da Aerolíneas Argentinas, Mariano Recalde, reconheceu que pediu à presidente Cristina Kirchner para suprimir itinerários da LAN para beneficiar as operações da estatal. Um vídeo divulgado pela imprensa argentina, nesta terça-feira, 27, mostra Recalde em discurso para um grupo kirchnerista, em que atribuiu adjetivos ofensivos a alguns políticos da oposição e relatou os pedidos feitos à presidente para melhorar as margens de lucro da Aerolíneas Argentinas.

No discurso, Recalde afirmou que a presidente não considerou adequado tirar voos da LAN. "Lhe pareceu muito", disse. O vídeo veio à tona às vésperas do fim do prazo imposto pelo governo à LAN para que desocupe um hangar no aeroporto metropolitano Jorge Newberry, mais conhecido como Aeroparque. No último dia 19, o Organismo Regulador do Sistema Nacional de Aeroportos (Orsna) entregou à LAN uma notificação para deixar o hangar em 10 dias úteis, pelo qual a companhia tem um contrato de uso que expira apenas em 2023.

Sem o hangar, a empresa alega que não poderá operar voos domésticos. A LAN possui 14 voos no país e, desde dezembro de 2012, sofre boicotes de organismos estatais. No vídeo, gravado em dia 5 de abril de 2010, Recalde relatou que a Aerolíneas Argentinas enfrenta dificuldades pela concorrência da LAN e de empresas brasileiras. Recalde também criticou o governo chileno de Sebastián Piñera.

"Levaram a direita à Presidência do Chile. Estamos competindo com a direita pinochista (referência ao ex-ditador Augusto Pinochet) instalada na Argentina; com empresas brasileiras; com interesses nacionais que querem mudar o modelo do país", reclamou Recalde. O executivo mencionou a compra de 20 aviões da Embraer para renovar a frota da estatal, com um "preço de mercado, ou mais barato, e o que é melhor, com financiamento do Brasil com taxa de juros de 7,3% anuais a 15 anos de prazo, um empréstimo esplêndido, inaudito", qualificou.

Também nesta terça-feira, o presidente do Orsna, Gustavo Lipovich, afirmou que, se a LAN não desocupar o hangar até quinta, 29, o organismo vai recorrer à Justiça. Na segunda, 26, a LAN apresentou uma medida de amparo legal para tentar reverter a decisão oficial. Lipovich argumentou que há uma cláusula no contrato entre a LAN e a Aeropuertos Argentina 2000, operadora dos aeroportos no país, que prevê o despejo em caso de necessidade do Estado.

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