quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Investimentos astronômicos no potencial nuclear dos EUA

Os Estados Unidos precisarão na década futura de um montante gigantesco de 400 bilhões de dólares para modernizar as forças nucleares do país. Quais são as perspetivas reais para atingir este objetivo e à conta de quem poderá ser renovado radicalmente o arsenal norte-americano? Dirigimos estas perguntas a peritos da Voz da Rússia.

Washington declara que será necessário investir centenas de bilhões de dólares nas forças nucleares estratégicas do país após 2020. Madeleine Kridon, assessora do Pentágono, constata que estes planos são muito dispendiosos, mas absolutamente necessários. Tudo explica-se muito simplesmente: os sistemas tornam-se obsoletos, devendo ceder lugar a novos. Uma modernização radical da armada poderá reduzi-la muito quantitativamente. Trata-se de renovação de meios estratégicos de transporte de ogivas nucleares e de reequipamento do setor industrial. Já hoje, o governo norte-americano canaliza bilhões de dólares para estes fins.

Vladimir Kozin, membro correspondente da Academia de Ciências Naturais da Rússia, considera que hoje armas nucleares norte-americanas se encontram em um estado técnico estável, mas, no entanto, há argumentos para discussões substanciais sobre o tema:
"O Pentágono e a direção do país têm grande vontade de modernizar estas armas. Mas o montante de 400 bilhões de dólares, anunciado por especialistas, parece muito insuficiente. Segundo meus dados, para modernizar apenas armamentos estratégicos ofensivos serão necessários de 500 a 700 bilhões de dólares. Mais 65 bilhões serão precisos para modernizar armas nucleares de próximo alcance."

Os norte-americanos pretendem substituir plenamente a tríade tradicional – as forças nucleares terrestres, aéreas e marítimas – por sistemas principalmente novos. Deste modo, contrariamente a declarações patéticas de Washington sobre a aspiração a um mundo desnuclearizado, a direção americana pretende na realidade cultivar seu estatuto nuclear, investindo meios gigantescos em armas de destruição maciça de última geração.
Tal vontade ansiosa de modernizar os sistemas de armamento testemunha indiretamente que o arsenal estratégico dos EUA se tornou obsoleto tanto moral, como fisicamente. Anteriormente, as semelhantes críticas foram lançadas contra Moscou que, alegadamente, não poderia garantir a segurança e renovação de seus sistemas. Mas este problema, como se esclarece, diz respeito também em plena medida aos Estados Unidos.

As autoridades dos EUA, desde que pretendam seguir seus planos de modernização global, terão de equilibrar finamente entre diversos interesses e grupos, apontou o politólogo Vladimir Novikov:
"Pelo visto, serão transferidos meios de um programa para outro que parecerá mais realizável. Podem ser renunciados alguns programas e aparecer novos em troca. Serão considerados equilíbrios regionais e globais, assim como as potencialidades da China e a política da Rússia."

Mas, além do fator técnico-militar e geopolítico, existe um fator puramente financeiro. Centenas de bilhões de dólares, embora estendidos no tempo, são um montante muito considerável. As autoridades dos EUA terão de responder inevitavelmente à pergunta de "onde buscá-lo". Durante anos consecutivos assiste-se a uma queda da dinâmica econômica e fenômenos da crise naquele país. Não é evidente ainda, se a próxima década será melhor em comparação com a atual.

Tal significa que será necessário reduzir outras despesas para poder realizar os planos ambiciosos de rearmamento total da tríade nuclear. Em tais casos, regra geral, ficam prejudicados programas sociais. Por isso esta questão será de fato política para os americanos, já descontentes com o “apertar de cintos” sem fim, e sobretudo para sua futura direção do país.

Fonte: Voz da Rússia

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