quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Celso Amorim sobre o F-X2: leasing de caças russos ‘não está em consideração’

Trechos de extensa entrevista concedida pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, ao programa “Poder e Política” da Folha de São Paulo / Uol.

O que está faltando para ser encerrado o programa da compra dos caças, o chamado F-X2?

Estou muito confiante de que vai ter um bom andamento, mas quanto menos eu falar dele melhor.

O sr. já disse até que o Brasil poderia negociar uma parceira de construção de caças de quinta geração com a Rússia. A Rússia que está desenvolvendo esses modelos de quinta geração. Houve alguma evolução nessa área?

Isso é uma possibilidade para o futuro. Volto a insistir: nós não podemos ter todos os ovos em uma única cesta. Nós não sabemos o que é o futuro do mundo. Nós gostamos de pensar que o mundo é uma coisa certinha, de que todo mundo vai se comportar sempre de uma mesma maneira. Mas não é assim.

Sou de uma geração que viu a Guerra Fria. A Guerra Fria acabou. Não existe mais bipolaridade. Existe multipluralidade de informação. O mundo mudou muito e não sei nesse mundo novo, cheio de incertezas, o que vai acontecer.

Tenho que ter uma diversificação. Acho que isso é essencial para a segurança do Brasil. Sob esse aspecto é que nós estamos abertos a uma cooperação para um caça de quinta geração com qualidades que o de quarta e meia, com dizem, não terá, com a Rússia – e com, eventualmente, outros.

Não é só com a Rússia. A Rússia sugeriu essa hipótese também. É uma hipótese que nós temos que considerar. De qualquer maneira isso é uma coisa que ainda terá que ser para o futuro porque de imediato nós temos que preencher a necessidade que existe hoje.

Essa necessidade vamos ter que preencher ainda com os caças de quarta geração. Eles dizem quarta e meia porque já estão um pouco melhorados. E é isso que nós estamos tratando de fazer.

Ainda que seja para o futuro, se sair o acordo com a Rússia sobre o caça de quinta geração, isso permitiria uma solução intermediária com o Brasil fazendo, por um tempo, leasing de caças russos de quarta geração?

Não está em consideração.

Não?

Não está em consideração.

Não há essa hipótese?

Não há essa hipótese, tanto quanto eu saiba.

Parece que a Rússia…

Eles gostariam que a gente fizesse um leasing, mas isso não nos dá nada porque nós queremos ter
Seria cancelado o F-X2?

É óbvio que nós não faremos isso. O F-X2 vai se realizar.

Não tem essa história de leasing?

Não.

Qual é o cronograma do F-X2?

Sou sempre muito otimista. Acho que otimismo faz parte da descrição do homem público. Minha expectativa é para que algo muito breve ocorra.

O sr. acha que dentro do governo da presidente Dilma Rousseff, que termina em dezembro do ano que vem, o Brasil vai ter concluído esse programa de compra dos caças?

Veja bem… Entre uma decisão final para comprar determinado caça e a chegada dele no Brasil levará algum tempo. Creio que a decisão final será tomada bem antes disso.

A presidente tem falado para o sr. que vai tomar essa decisão?

Minhas conversas com a presidenta são, do meu ponto de vista, totalmente privadas. Se ela quiser conversar a esse respeito, ela pode. Eu, não.

Em que medida esse episódio aí da espionagem, da NSA, acabou afastando um pouco a possibilidade da Boeing vencer essa concorrência dos caças?

Tanto quanto sei, a decisão sobre esse tema será técnica. Levando em conta os elementos de performance, transferência de tecnologia, inclusive acesso a código fonte, e preço. Três elementos.

Ficaram três países na concorrência. Caças de três países [EUA, França e Suécia]. Quanto a isso não há mais possibilidade de recuo?

Filosoficamente não gosto de falar em coisas absolutas, mas não vejo nenhuma possibilidade de revisão disso. Não está no horizonte, não está nas considerações.

FONTE: Folha de São Paulo

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