terça-feira, 12 de novembro de 2013

Ganhos da GOL são absorvidos por desvalorização do real

 A GOL Linhas Aéreas Inteligentes SA, a companhia aérea mais endividada do continente americano, está enfrentando sua sétima perda trimestral devido ao declínio do real, que eclipsa as melhorias operacionais.

A queda de 12 por cento do real frente ao dólar nos últimos doze meses está pressionando a segunda maior companhia aérea do Brasil porque 77 por cento da sua dívida é denominada em dólares, enquanto a GOL obtém a maior parte da sua receita dentro do país, segundo dados compilados pela Bloomberg. O combustível para jatos, o maior gasto da GOL, também tem preço em dólares.

As dificuldades da GOL se repetem na indústria brasileira devido à desvalorização do real e a uma redução do tráfego em meio a uma economia em desaquecimento.

A Latam Airlines Group SA e a Azul Linhas Aéreas Brasileiras SA também observaram que seus gastos operativos mais do que dobraram. Analistas consultados pela Bloomberg prognosticam que a GOL estenderá sua série de perdas quando anuncie seus lucros hoje.

“O problema é que a GOL está hiperendividada e o dólar os afeta”, explica Bianca Faiwichow, analista da GBM Brasil Dtvm em São Paulo. “Eu não poria a minha mão no fogo por nenhuma companhia aérea, para o bem ou para o mal, pois realmente é difícil saber. Elas dependem muito do combustível”.

Em um e-mail, os representantes da GOL não quiseram fazer comentários sobre o desempenho da companhia antes da divulgação dos resultados hoje. A projeção é que as perdas líquidas ajustadas para o trimestre se reduzam de R$ 309,4 milhões há um ano para R$ 142,7 milhões (US$ 61,2 milhões), conforme a média de estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg.

O presidente Paulo Sérgio Kakinoff eliminou voos para reduzir custos e aumentar a receita por assento voado por quilômetro, uma medida de referência da indústria. Conforme essa referência, a GOL, com sede em São Paulo, registrou ganhos mensais de até 24 por cento neste ano, em comparação com um pico de 7 por cento em 2012, segundo documentos regulatórios.

O desafio para a GOL é que esses aumentos deveriam começar a diminuir neste mês devido a comparações mais desfavoráveis com o ano anterior, diz Victor Mizusaki, analista de ações do UBS AG em São Paulo. Sua recomendação de compra das ações da GOL é equivalente à afirmação de Faiwichow de que elas superarão a média de desempenho do mercado.

Combustível para jatos

O combustível para jatos ficou 40 por cento mais caro desde novembro de 2009, enquanto a queda da moeda brasileira frente ao dólar é a maior entre as moedas latino-americanas neste ano.

À medida que os custos sobem, a demanda da indústria no Brasil cai. O número de passageiros domésticos aumentou 6,8 por cento após registrar ganhos de 16 por cento em 2011 e 25 por cento em 2010, conforme a Anac.

A GOL projetou margens de lucros antes de juros e impostos (Ebit) de entre 1 por cento e 3 por cento e visa chegar a “dois dígitos”, afirmou o diretor financeiro Edmar Lopes em uma teleconferência no mês passado, sem especificar prazos.

“Não chegaremos lá em 2014”, acrescentou Lopes. “Mas certamente estaremos em melhores condições, veremos alguns progressos com o tempo. Quanto progresso ainda não está claro, porque depende do ambiente macro, do câmbio, do fornecimento e da concorrência”.

O mercado “confia que a GOL vai conseguir cumprir suas projeções de margens de Ebit de entre 1 por cento e 3 por cento em 2013”, afirmou Mizusaki. “No ano que vem, com essa disciplina do setor quanto à capacidade, se a economia melhorar, os voos estarão mais cheios e as margens de Ebit poderão se expandir”.

Fonte: Exame

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