terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Base Aérea de Santa Catarina está na mira de cortes da Aeronáutica

 A compra de 36 caças suecos Gripen anunciada esta semana pelo governo federal durante a última semana pode ter implicações no futuro da Base Aérea de Florianópolis. Ela estaria numa lista de instalações militares que seriam fechadas para que a Aeronáutica levante os R$ 4,5 bilhões a serem usados na compra das aeronaves de última geração. A informação foi veiculada na imprensa especializada e apareceu na edição deste domingo do jornal O Globo.

A possibilidade foi negada pela Força Aérea Brasileira (FAB) por meio de uma nota enviada pelo Centro de Comunicação Social da Aeronáutica em Brasília. Mas o texto admite que existe um plano de reestruturação em curso que inclui estudos a respeito de Florianópolis.

A revista especializada Poder Aéreo, editada pelo ex-militar Alexandre Galante, publicou informações diferentes e acrescentou que as sete aeronaves existentes em Santa Catarina seriam enviadas para Canoas (RS), onde também há uma base aérea. A estrutura existente em SC seria desativada. O comandante da Base Aérea de Florianópolis, coronel-aviador Claus Kilian Hardt, refutou o fechamento.

No entanto, duas unidades militares que estavam no plano de restruturação foram esvaziadas de acordo com O Globo. O argumento de redimensionar a frota fez o esquadrão que operava em Fortaleza ser transferido para Natal.

A estrutura existente na capital cearense é bem semelhante à catarinense. Ambas contam com aeronaves do mesmo modelo, o Bandeirante. O tamanho do contingente é igual ao da Base Aérea de Florianópolis, cerca de mil militares.

O hangar de Natal também absorveu a estrutura de Santos (SP). Os helicópteros Esquilo que operavam no litoral paulista foram para o Nordeste. Trata-se de outra unidade que está no plano de reestruturação da FAB.

A eventual saída removeria de Santa Catarina dois grupamentos conhecidos como Esquadrão Phoenix, que tem função de patrulhar todo o litoral da Região Sul. A decisão também acarretaria prejuízos financeiros. Estudos realizados em Fortaleza revelaram que a cada ano a instalação injetava R$ 200 milhões na economia local.

“Não tem nada no curto prazo”

Diário Catarinense – A Base Aérea de Florianópolis será desativada?

Coronel-aviador Claus Hardt – Não está na programação oficial da Aeronáutica. Não tem nada oficial, não tem nada no planejamento de curto prazo e, pelo que eu li (na imprensa), essas desativações que estão acontecendo, uma em Santos e outra em Fortaleza, já estavam num planejamento que vem sendo executado há alguns anos.Quando foi feito esse planejamento em 2006, a Base de Florianópolis estava lá. Naquela primeira versão, saiu sim que a Base de Florianópolis seria desativada. Mas depois, o assunto saiu de pauta, não foi mais o caso, desistiram…

DC – Por que o comando desistiu de desativar Florianópolis?

Coronel-aviador – Eu não sei. Esse tipo de decisão é do alto comando, não é compartilhada. O que posso dizer é que hoje não tenho informações oficial com relação à desativação de Florianópolis. Pelo contrário.

DC – Mas se no passado a Aeronáutica planejou desativar Florianópolis, a situação não pode ser reavaliada?

Coronel-aviador – Olha, quem sabe… Mas hoje eu posso te dizer que realmente não há nada mesmo. Se o alto comando vai, num próximo estudo, colocar de novo a Base de Florianópolis para eventualmente ser desativada, não sei e não posso dizer, mas acho extremamente improvável porque estamos até ampliando.

DC – Ao que o senhor atribui as especulações?

Coronel-aviador – Justamente porque, no planejamento realizado em 2006, a Base de Florianópolis tinha entrado na lista das bases a ser desativadas. Inclusive, de todas as bases que estavam na lista, a nossa era a última. Se não estou enganado, no planejamento inicial, a Base de Florianópolis era para ser fechada em 2019. Mas no início de 2013, quando estive em Brasília, o comando disse que a Base de Florianópolis não será desativada. É a posição oficial que eu posso passar.

DC – Mas a FAB está cortando gastos…

Coronel-aviador – Mas não tem nada a ver uma coisa com a outra… Essas desativações (Santos e Fortaleza) já estavam previstas, mas não tem nada a ver com a compra do Gripen.

DC – E a contenção de gastos, até que ponto interfere no trabalho?

Coronel-aviador – Hoje a gente tem mil homens. Para manter o destacamento funcionando, só para manter as instalações e servir de base para pousos técnicos, a gente conseguiria trabalhar com 100 homens.

DC – O planejamento inicial era reduzir a Base de Florianópolis para 100 homens?

Coronel-aviador – Isso. Seria o mesmo que acontece em Santos. Só que não é o caso. Isso não existe mais.

DC – Em caso de desativação, esses militares seriam transferidos?

Coronel-aviador – Vou te dizer que 80% a 90% do pessoal.

DC – Quantos aviões há em Florianópolis?

Coronel-aviador – São Bandeirante de patrulha usados no patrulhamento marítimo, o que passa a ter uma importância muito grande agora com o Pré-sal.

DC – E com sete aviões é possível fazer um bom patrulhamento?

Coronel-aviador – Sim, claro…

Fonte:  Diário Catarinense

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