sábado, 26 de abril de 2014

Crise na Ucrânia rende frutos para o Gripen NG

 A crise entre Rússia e Ucrânia gerou um efeito colateral envolvendo a Saab, fabricante do Gripen NG, caça escolhido pelo governo brasileiro para ser o padrão da frota da FAB (Força Aérea Brasileira) no fim do ano passado.

Na quarta-feira, o governo sueco anunciou que iria comprar mais 10 unidades do modelo, elevando a carteira de encomendas para 70 aviões para a nova versão derivada do NG. E que irá investir para o desenvolvimento de um míssil com capacidade de atingir alvos dentro do território russo.

“No futuro, a habilidade de combater alvos a distância mais longa pode ser importante”, disse a ministra da Defesa Karin Enstroen à rádio pública sueca. É uma referência clara ao temor decorrente da anexação da Crimeia pela Rússia e das ameaças do Kremlin de estender suas operações militares em território ucraniano.
Historicamente, a Suécia sempre se preocupou com o vizinho gigante, separado de seu território apenas pela Finlândia. Nos tempos da Guerra Fria, o medo de uma invasão soviética e o desejo de neutralidade fizeram o país desenvolver uma Força Aérea respeitável e com indústria própria a servi-la.

Em relação ao Brasil, há duas implicações na notícia. Primeiro, o ganho de escala na produção do caça, ainda que por ora seja pequeno, sempre levanta dúvidas sobre as capacidades de produção da Saab –ao mesmo tempo, pode acelerar os planos de instalação da linha de montagem no Brasil, que encomendou 36 Gripens ao preço de US$ 4,5 bilhões.

Mais importante, há a possibilidade de uma integração da indústria nacional a um projeto do míssil de longo alcance. Avibrás e Mectron são as principais empresas do ramo no Brasil, e o país já tem uma parceria com outro país usuário do Gripen, a África do Sul, no desenvolvimento desse tipo de armamento.

FONTE: Folha de São Paulo

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