sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Acrobatas em ação

   O Brasil promoveu seu Segundo Campeonato Nacional de Acrobacia Aérea na Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga, no interior de São Paulo. Organizado pelo CBA (Comitê Brasileiro de Acrobacias e Competições Aéreas), o evento aconteceu nas dependências do Esquadrão de Demonstração Aérea, a Esquadrilha da Fumaça, comandada atualmente pelo tenente-coronel Marcelo Gobett, e reuniu entre julho e agosto últimos a nata da acrobacia aérea brasileira.

Profissionais da aviação compunham a maior parte do seleto grupo de competidores. Segundo os organizadores, cerca de 70% dos participantes trabalham como pilotos de aviões comerciais, executivos ou agrícolas. Eles cumpriram, sem percalços ou incidentes, as sequências de manobras em suas respectivas categorias: básica, sportsman, intermediária, avançada e ilimitada. No solo, olhares atentos dos juízes sob a coordenação do sul-africano John Gaillard, que foi juiz-chefe do mundial da categoria “ilimitada” de 2013, no Texas, Estados Unidos.
Extra 330XL e Sukhoi SU-31 sobre a AFA

O piloto Francis Barros com seu Sukhoi SU-31 sagrou-se campeão na categoria “ilimitada” e acabou acumulando, também, o título brasileiro de 2014. Juliano Barros, voando um Christen Eagle, vencedor da categoria “soprtsman”, foi condecorado como piloto revelação do torneio. Marcos Geraldi, pilotando o CEA 309 Mehari, avião projetado e construído no Brasil pelo engenheiro Paulo Iscold e sua equipe da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), venceu a categoria “avançada”. A categoria “intermediária” teve como vencedor o piloto Camilo Freitas, no Christen Eagle do Aeroclube do Rio Grande do Sul. Representando a nova geração de pilotos acrobáticos brasileiros, Guilherme Borges ficou em primeiro lugar na categoria “básica”, pilotando um Decathlon.

Além dos competidores, participaram da festa um Boeing Stearman 1943 pilotado por Eduardo Haupt (que concorreu na categoria “sportsman” com a mesma aeronave, para admiração geral) e o PT-19 do Aeroclube de Pirassununga (aeronave usada pelo “veio” Bertelli em instrução acrobática) pilotado por Thiago Sabino, ambos fazendo diversas passagens sobre a academia. Também decolaram, no intervalo entre as provas, com o espaço aéreo livre para pousos e decolagens, pilotos experientes da acrobacia nacional, como Carlos Edo e seus T-6, num voo noturno, e Hernani Dippolito e Luiz Guilherme Richieri, respectivamente em um Extra 330XL e um Sukhoi SU-31. Pegamos carona no muito bem restaurado Citabria do comandante Paulo Bastos para algumas fotos aéreas de Hernani e Richieri sobre a AFA.                
O campeão Francis Barros

Segundo Luiz Dell’Aglio, atual presidente do CBA, discute-se para as próximas edições do campeonato nacional a realização de duas etapas durante o ano, além de mais duas etapas regionais, talvez com a participação da Esquadrilha da Fumaça. “Para esta edição, o CBA e o diretor de provas Ricardo Soriani tiveram apoio irrestrito da AFA por intermédio do coronel-aviador Rubens Fernandes e do brigadeiro Carlos Eduardo”, diz Dell’Aglio. Para o coronel Gobett, a integração entre a acrobacia de competição e os pilotos do EDA é benéfica, já que muitas vezes compartilham o mesmo espaço aéreo em eventos aeronáuticos.

Texto e fotos Maurício Lanza
244 · Setembro/2014

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