segunda-feira, 4 de maio de 2015

Falha no software do Boeing 787 pode fazer rede elétrica parar de funcionar durante voo

Nos últimos anos, o Boeing 787 Dreamliner tem sido uma mistura de potencial para o futuro e falhas no presente. Desta vez, a FAA (órgão americano semelhante à Anac) descobriu uma falha de software alarmante: a rede elétrica do avião pode parar de funcionar, e fazer com que o piloto perca o controle durante o voo.

Nos últimos anos, o Boeing 787 Dreamliner tem sido uma mistura de potencial para o futuro e falhas no presente. Desta vez, a FAA (órgão americano semelhante à Anac) descobriu uma falha de software alarmante: a rede elétrica do avião pode parar de funcionar, e fazer com que o piloto perca o controle durante o voo.

Se o avião não for desligado regularmente entre os voos, os sistemas do gerador poderiam mudar para o modo de segurança, que corta toda a energia elétrica – até mesmo das baterias presentes no avião.

Isso pode acontecer mesmo se o avião estiver no ar. Felizmente, o bug foi revelado em testes de laboratório da Boeing, não em algum acidente no mundo real.

A falha de software surgiu depois que o 787 esteve ligado continuamente por 248 dias (cerca de oito meses). Aviões normalmente não ficam ativos por tanto tempo sob manutenção regular. Mas, como observa o Wall Street Journal, o Dreamliner já passou por outras falhas técnicas, que eram muitas vezes piores e apareciam logo depois que seus sistemas eram ativados.

A Boeing sugeriu dar tempo extra para o avião fazer boot; mas às vezes, as companhias aéreas mantêm os aviões ligados para “evitar algumas dores de cabeça técnicas irritantes e manter seus Dreamliners voando sem atrasos”, diz o WSJ.

A FAA e a Boeing divulgaram avisos sobre a importância de desligar a aeronave regularmente. A fabricante também diz que vai resolver a falha no software até o final do ano.

O 787 Dreamliner começou a operar comercialmente há quatro anos, e é usado por 59 companhias aéreas ao redor do mundo, incluindo Air France, American Airlines, Avianca, British Airways, Delta, KLM, LAN, entre outras.

Ele possui várias inovações para tornar seu voo mais confortável, e para causar menos impactos no meio ambiente. A cabine é mais silenciosa e tem ar mais úmido que em outros aviões. Ele tem os maiores compartimentos para bagagem de mão que existem, além de janelas 30% maiores que escurecem para reduzir a luz do Sol. E a estrutura do avião é feita de fibra de carbono, que o deixa mais leve e o faz consumir menos combustível.

No entanto, ele já passou por diversos problemas. Em 2012, pedaços da turbina caíram de um 787 nos EUA, causando um incêndio; o aeroporto precisou ser temporariamente fechado. E em 2014, um voo da Norwegian Airlines foi cancelado depois que uma passageira viu combustível vazando por uma válvula na asa do avião.

Além disso, ocorreram diversos problemas com a bateria do Dreamliner. Em 2013, por exemplo, uma falha causou um incêndio no Japão – e durante o voo, o que resultou em um pouso de emergência. No mesmo ano, toda a frota de Dreamliners nos EUA ficou proibida de voar por quatro meses, após uma bateria explodir em Boston.

Isto é causado por fuga (ou aceleração) térmica: quando a bateria fica mais quente, ela funciona mais rápido, o que a deixa mais quente, fazendo com que ela solte fumaça ou exploda. O 787 Dreamliner tem duas baterias de lítio enormes – a principal de 48,5 kg, e a secundária de 28,6 kg – para dar energia aos sistemas do avião antes que os motores sejam ligados.

Elas também servem como redundância, “na rara possibilidade de uma perda de fontes de energia primárias”, explica a Boeing. Elas deixariam de funcionar com a falha recém-descoberta de software.

Mesmo com todos esses problemas, há motivos para permanecer otimista sobre este sonho da aviação. O Boeing 737 é o jato mais popular da história, mas também enfrentou problemas no passado: em 1991 e 1994, pilotos diziam perder completamente o controle da aeronave antes de acidentes. As falhas foram corrigidas, e a aeronave se tornou mais difundida – e segura. Torcemos que o Dreamliner siga o mesmo rumo.

Fonte: Wall Street Journal e FAA

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