terça-feira, 7 de julho de 2015

Gripen NG pode voar Mach 1,2 sem o uso de pós-combustão

Quando o primeiro Gripen NG for recebido pela FAB em 2019, será um avião "novo" em termos históricos para o Brasil: pela primeira vez, receberemos uma aeronave de defesa aérea que também será novidade em seu país de origem. 

O Capitão Gustavo Pascotto, que esteve recentemente na Suécia - País que criou o caça, vai além. "Os reflexos que o sistema Gripen terá na Força Aérea e na indústria nacional, de uma maneira geral, vão perdurar por muitas décadas", afirma. 

O piloto voou o Gripen das versões C e D na Suécia, mas o NG - de New Generation - é efetivamente uma nova aeronave. "Embora eles possam ser similares ao olhar, são consideradas aeronaves completamente diferentes", explica o capitão. 

Nem a fuselagem é semelhante. O Gripen NG é maior e possui um novo design de trem de pouso para suportar duas toneladas a mais de peso e ter mais dois pilones para armamentos. 

O motor também é novo. 

O F414G é mais potente, com capacidade de até 22 mil libras. Sem pós-combustão, as 13 mil libras de empuxo darão ao Gripen a possibilidade de voar em super cruzeiro, quando em configuração ar-ar. Isso significa poder manter a velocidade supersônica não apenas durante curtos combates aéreos, mas durante voos de longa duração. Na prática, aviões de caça só voam acima da velocidade do som quando estão em combate. 

Com o Gripen NG será diferente. O demonstrador de tecnologia da Saab já alcançou Mach 1,2 (velocidade do som) sem o uso de pós-combustão. Quando entrar em serviço, o Brasil será o único país do Hemisfério Sul a possuir um caça com essa capacidade, hoje disponível somente nos F-22, Rafale, Eurofighter e Sukhoi Su-35.

Essa velocidade poderá ser utilizada, por exemplo, em voos de traslado. Para o Brasil, isso significará poder levar seus caças de Anápolis para qualquer ponto do País em um tempo bem menor. O alcance de traslado é grande: 4 mil quilômetros. Isso será possível porque o Gripen NG levará 40% mais combustível que a versão anterior, além de poder ser reabastecido em voo. 

Em relação às duas mais recentes aeronaves usadas na defesa aérea do Brasil, o Gripen NG representa um novo salto. "É a conjugação de uma performance elevada, de uma característica de aceleração de capacidade de voo supersônico, de voo em altas altitudes", afirma o Capitão Gustavo. 

O Gripen foi criado também para operar a partir de estradas ou pistas de pouso pequenas: bastam 500 metros para o pouso. Outra característica do projeto foi reduzir o tempo necessário para a aeronave ser rearmada e reabastecida para voltar ao combate. De acordo com a Saab, é possível que em menos de 10 minutos um Gripen seja preparado para uma missão. Uma das soluções de engenharia adotadas, por exemplo, foi bastante simples: para preparar o caça para o voo não e necessária sequer uma escada.

Todos os painéis de acesso aos componentes ficam em uma altura adequada para o trabalho de uma pessoa em pé. Mesmo procedimentos mais complexos, como a troca da turbina, podem acontecer em menos de 60 minutos. 

Foto: Sgt Johnson – Agência Força Aérea

Fonte: NOTAER

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