quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Missões Sandy: Busca e salvamento no Vietnã


Na guerra do Vietnã não havia linha de frente. A zona de guerra  estendia-se a todos o país. Os helicópteros de salvamento converteram-se em parte integrante da guerra, e a visão de um Bell UH-1 passou a ser uma mensagem de esperança para qualquer soldado ferido. Infelizmente, a recuperação de pilotos abatidos no Vietnã do Norte apresentava problemas mais sérios. Retirar um homem do território inimigo requeria uma combinação de habilidade, intuição e coragem. Tais missões obrigavam à intervenção de vários tipos de aeronaves, mas era sobre os aviões de ataque ao solo Skyraider e os grande helicópteros HH-3, os ´´Jolly Green Giant``, que recaía o grosso da tarefa.

OS SALVADORES

Os velhos Skyraider, familiarmente conhecidos por ´´Sandy``, pois era este o seu indicativo rádio, estavam sempre em busca de pilotos abatidos na selva, muitas vezes bem dentro do território inimigo. Os Skyraider estavam encarregados de atacar forças inimigas  que tentassem aproximar –se dos pilotos abatidos, de escoltar os helicópteros de salvamento até à recuperação dos pilotos e cobrir a retirada.

Além destas funções, deviam atrair sobre si todo o fogo inimigo durante a operação de salvamento. Embora não existam duas missões de salvamento iguais, há procedimentos chave e preestabelecidos.
Assim que um avião era abatido, as unidades de salvamentos eram imediatamente alertadas por camaradas ou por um avião de controle de operações. Uma missão de salvamento típica começava com um briefing ao piloto do skyraider, que era o comandante da operação; seu indicativo rádio era ´´Sandy1``.

Comandaria todo o desenrolar da operação, desde o briefing até o regresso à base. As instruções eram rápidas, pois cada segundo contava. Enquanto isto, os aviões eram armados e abastecidos para que pudessem levantar voo imediatamente.

A APROXIMAÇÃO

À frente voava um helicóptero acompanhado por dois Skyraider, seguidos pelos outros. Sandy1 orientava o voo pelo receptor que captava o sinal emitido por um emissor de rádio de emergência que os pilotos levavam consigo. Voavam em linha reta na direção do sinal e, quando sobrevoavam o piloto abatido, bastava que este sinalizasse a sua posição para que a operação de salvamento se iniciasse.

O primeiro passo era localizar o inimigo. Para tal era necessário muito sangue frio, pois significava voar a baixa velocidade e altitude em volta da zona onde o piloto se encontrava. Na esperança de que o inimigo indicasse a sua presença abrindo fogo contra o A-1. O Controlador aéreo avançado (FAC) supervisionava a operação de cima, dirigindo um dos outros A-1 contra o fogo inimigo.

O SALVAMENTO

Enquanto isto, o helicóptero de salvamento aproximava-se. Até este momento  da operação o helicóptero fazia todo o possível para não chamar a atenção do inimigo quanto à localização do piloto no solo.

Sobretudo procurava não sobrevoa-lo depois de descoberto, pois era mais fácil ao inimigo atingi-lo que ao helicóptero recuperá-lo. Quando o helicóptero começava a aproximar-se, Sandy1 lançava um foguete de fósforo branco para indicar a posição do piloto.
O Skyraider não voava a grande altitude nem era veloz, mas era robusto, econômico e podia transportar uma potente e variada carga bélica. Era o avião ideal para escoltar as missões de busca e salvamento.

Quando o helicóptero estava suficientemente próximo ao piloto abatido, era dada ordem para baixar a ´´Bengala`` de resgate. O helicóptero descia então um peso  suspenso na extremidade do cabo do guincho. O piloto se segurava na ´´bengala`` e era içado para bordo. Caso este não estivesse em condições de fazê-lo sozinho, um dos tripulantes do helicóptero era descido para proceder à operação de prender o piloto abatido à bengala. Quando o piloto se encontrava a bordo, o ´´Jolly`` partia imediatamente para uma zona de segurança, deixando atrás de si, para proteger a retaguarda, os Skyraider. Sandy1 era o primeiro a chegar e o último a abandonar a zona.

NO MEIO DO PERIGO

O A-1 Skyraider era um avião lento e pesado que não ultrapassava os 320 Km/h. Apesar de ser capaz de aguentar duros castigos era tão lento que podia ser facilmente atingido. A maioria das missões de salvamento realizava-se de dia e sob intenso fogo antiaéreo inimigo, mas não há duvida de que a visão de um Skyraider armado até ´´os dentes`` com bombas e foguetes devia ser uma aparição verdadeiramente milagrosa para qualquer piloto abatido, sozinho em pleno território inimigo. 

Fonte: Revista Asas de Guerra número 3

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