quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Messerschmitt sobre a Inglaterra

Durante o longo e quente verão de 1940 assistiu-se uma luta titânica nos céus da Inglaterra, quando os pilotos da Luftwaffe tentaram subjugar a Grã-Bretanha.

Os Bf 109E de nariz amarelo combateram sem tréguas com os Spitfire e os Hurricane nos céus da Inglaterra. Mais veloz que os Hurricane, o pequeno caça alemão não superava o Supermarine Spitfire. A vitória parecia possível partindo da costa francesa do canal da Mancha. As forças aéreas alemãs haviam se tornado invencíveis desde a conquista da Polônia e da França, além disso, tinham o Messerschmitt Bf 109E, um dos mais formidáveis caças do mundo, tinham ótimos pilotos, comandados por ases da Primeira Guerra  Mundial e, entre eles, muitos jovens aviadores que haviam experimentado o novo caça nos céus da Espanha , podiam considerar-se os melhores do mundo. Em Julho de 1940, os primeiros 109 aventuraram-se a atravessar nas incursões contra os comboios e objetivos costeiros ou sobrevoando à vontade a planície inglesa em missões Freijagd (caça livre). 

Voando em formações abertas de quatro  (Schwarm) e dois (Rotte) aviões, já experimentadas na Espanha, no começo levaram vantagem sobre  os caças da RAF, que voavam em formações rígidas de três aviões, normalmente os pilotos estavam tão preocupados em manter a formação que não se davam pela aproximação dos Messerschmitt. No entanto, já havia sinais de que a sua tarefa não iria ser tão fácil. Em 16 de julho, Hitler ordenou que a Luftwaffe devia atacar uma série de objetivos que iam dos navios às defesas costeiras, incluindo as ´´reservas de retaguarda``. Cinco dias mais tarde, Hermann Goering, comandante supremo da Luftwaffe, ampliou o leque de objetivos mas não indicou a ordem de prioridade dos mesmos. No dia 2 de Agosto, quando emitiu as ordens para o Adlerangriff, o Ataque da Águia, concebido para arrasar a Grã-Bretanha, a lista aumentou mais ainda.

Um digno adversário

O Hawker Hurricane constituía o grosso da frota de caças britânicos em 1940. Mais lento que o 109, era muito robusto  e mais manobrável. Entregue a pilotos bem treinados. O Hurricane conseguiu vencer os caças alemães sem problemas.

O Supermarine Spitfire foi o melhor dos caças britânicos. A grande altitude, as suas performances eram inferiores às do 109, mas era muito mais manobrável a baixa e média altitude. Os caças britânicos tinham uma desvantagem: as suas metralhadoras podiam disparar uma grande quantidade de projéteis, mas não tinham o poder destruidor dos canhões de 20mm do Messerschmitt.

´´O dia da Águia``

O ataque da Águia tomou finalmente forma em 13 de Agosto. Nesse dia, as Luftflotten (frotas aéreas) alemãs realizaram cerca de 1.500 saídas, mas nesse período o Fighter Command (Comando de caça) tinha aperfeiçoado o seu sistema defensivo. Nos primeiros dias da ofensiva, os 109 atravessaram a costa a altitudes superiores a 9.000 metros, muito acima das formações de bombardeiros, na tentativa de atrair os Spitfire e os Hurricane para o combate manobrado em grande altitude, onde os aparelhos alemães eram indiscutivelmente superiores. 

No entanto, os defensores sabiam que deviam atacar os bombardeiros e ignoraram as escoltas, pelo que as formações de caças foram obrigadas a descer ao nível dos bombardeiros. Nessa situação, os caças alemães sofriam uma dupla desvantagem. Privados da superioridade das suas performances em altitude, só podiam esperar a chegada dos Spitfires e dos Hurricane que escolhiam o momento do ataque e a forma de atuar. Além disso, os 109 sofriam de alguns defeitos técnicos, por incompatibilidade das frequências de rádios, os caças não podiam comunicar-se com os bombardeiros que deviam escoltar, e nem podiam permanecer junto deles durante todo o ataque. Após 30 minutos sobre solo britânico, os indicadores do nível de combustível assinalavam que era hora de voltar à base e, então, era preciso voar o mais baixo possível sobre às águas hostis do Canal. Muitos não o conseguiram, afundando nas ondas quando os seus tanques ficavam vazios ou sucumbiram por danos sofridos durante o combate. Em 24 de Agosto, a ofensiva alemã começou a concentrar-se sobre os aeródromos do Fighter Command. 

Nos seis primeiros dias de Setembro, a Luftwaffe destruiu 119 caças britânicos e, se tivesse conseguido manter esse ritmo, a RAF não poderia resistir por muito mais tempo. Contudo, foi o próprio Goering quem decidiu mudar de estratégia. No dia 7 de Setembro, o seu comboio pessoal chegou ao cabo GrisNez, na costa francesa, de onde pretendia observar as formações de seus aviões quando estes se preparassem para realizar a primeira de uma série de incursões sobre Londres, mas o suposto golpe fatal não chegou a ser desferido e o alívio da pressão sobre os aeródromos foi exatamente a trégua de que o Fighter Command precisava. Em 15 de Setembro, 400 caças realizaram o último grande raid diurno. Todos os esquadrões da RAF disponíveis foram lançados em combate e a presença de tantos caças adversários convenceu a Luftwaffe de que a sua tentativa para eliminar o Fighter Command era inútil. A chegada do outono obrigou os alemães a renunciar à invasão nesse ano. Hitler já planejava a invasão da Rússia e a Luftwaffe passou a realizar bombardeios noturnos que deviam arrasar as cidades britânicas, mas que tiveram pouco efeito na guerra.

Atacar e fugir

Os 109 ainda tentaram outra tática, um terço das unidades de caça dispunha de aviões equipados para levar uma bomba de 250 kg. No mês de Outubro, estes aviões foram usados para efetuar ataques diurnos, realizados a uma altitude de quase 7.000 metros, enquanto os seus companheiros os cobriam 3.000 metros acima. Podendo aproximar-se muito mais rapidamente que quando escoltavam bombardeiros, com frequência conseguiam iludir as interceptações. Os danos que causaram não foram muitos, mas os esquadrões da RAF encontravam-se em má situação. No entanto, como salientou Adolf Galland, as formações de caça sentiam-se ´´como um peixe fora d´água``. 

Combatendo sobre território inimigo, no limite de sua autonomia e circunscritos a complicadas formações de bombardeiros, mas sem poder se comunicar com elas pelo rádio, obrigados a travar constantemente batalhas desesperadas com os indicadores de combustível na viagem de volta através do Canal, os caças alemães tiveram que enfrentar obstáculos excessivos.

Fonte: Asas de Guerra, Volume 2 número 20

Imagens: Internet

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