terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

EMB 12X – Parte 1 - EMB 121 Xingu: O primeiro executivo Brasileiro!

Embraer Xingu nas cores da Copersucar-Fittipaldi  (Foto flaviogomes.grandepremio.uol.com.br).

  Nesta série de matéria iremos abordar as aeronaves que são da família 12X da Embraer, a família que realmente colocou a fabricante brasileira no rumo certo!

  Muitos dizem que a Embraer entrou no mercado de aeronaves executivos com o lançamento do Legacy 600 que é uma adaptação do ERJ 135. Outros dizem que a Embraer entrou nesse nicho de mercado quando lançaram a família Phenom 100/ 300. O que muitos não sabem é que a Embraer já havia entrado nesse mercado há muito tempo!
EMB 121 Xingu (Foto Mauro Lins de Brarros).
Cockpit original do EMB 121 Xingu (Foto www.airwar.ru).

  Na década de 70, a recém-criada Embraer fabricava os modelos Bandeirante (EMB 110) e Xavante (EMB 326), porém em 1976, surgiu a ideia de desenvolver uma aeronave turboélice pressurizada para o transporte executivo, pois com a crise do petróleo os jatos estavam perdendo mercado. A aeronave utilizaria as asas do EMB 110 com motores PW PT6, porém sua fuselagem e empenagem seria um novo projeto: nascia o EMB 121 Xingu. O nome Xingu é em homenagem ao rio que nasce em Mato Grosso e termina no rio Amazonas, passando pela primeira reserva indígena - o Parque Indígena do Xingu.

  O Xingu faz parte da família de turboélices pressurizados, batizada de Projeto 12X. Todos os membros da família teriam em comum a fuselagem com cabine, leme e seção de asa, além da asa aerodinâmica supercrítica (o que significa ser capaz de cortar o ar com maior eficiência e menor resistência). As diferenças entre os aviões da família estariam na potência dos motores e no uso de seções adicionais na cabine, permitindo números diferentes de passageiros.

  O Xingu foi um grande marco, pois foi a primeira aeronave de projeto 100% nacional. Ele podia voar a 28.000ft, acima das pertubações atmosféricas, com a cabine pressurizada em 8.000ft oferecendo maior conforto aos ocupantes a uma velocidade de 410km/h (430km/h nas versões posteriores com hélices quadripás). Com capacidade para até 8 passageiros, o Xingu foi o primeiro avião pressurizado projetado e produzido pela Embraer, além de ter adotado a cauda do tipo “T”, o nariz longo assemelha-se a um jato. Mais rápido que o seu antecessor, o Bandeirante, o Xingu podia operar em pistas restritas e seu consumo de combustível era moderado.

  O primeiro voo ocorreu em 22 de outubro de 1976, porém sem o sistema de pressurização. O voo com o sistema instalado e operante ocorreu em maio de 1977 e foi um sucesso! O cliente lançador do modelo foi o GTE (Grupo de Transporte Especial) da FAB, porém o Xingu visava além das nossas fronteiras e 28 das 32 unidades da produção anual seriam comercializados pela Piper Aircraft Corporation nos EUA, garantindo a manutenção técnica em qualquer parte do mundo. O protótipo 01 (PP-ZCT) foi pintado nas cores da escuderia de Fórmula 1 Copersucar-Fitipaldi, e foi cedida em comodato para utilização pelos EUA, Canadá e Europa, divulgando a aeronave. Esse protótipo foi o primeiro avião de fabricação brasileira a atravessar o Atlântico junto com um EMB 110 nas cores da Air Littoral em 1977.
EMB 121 Xingu Armée de l'Air ´´Força Aérea Francesa`` (Foto www.avionslegendaires.net).
Cockpit do Xingu francês modernizado (Foto www.aero-news.net).

  A certificação para a operação civil foi cedida em 1979 e no final do mesmo ano foi homologado seu sistema de degelo nos EUA. Em 1981 surgiu o EMB 121A Xingu II, uma versão mais silenciosa com motor mais potente (PT6-135) e outra versão com a fuselagem mais espaçosa chamada de EMB 121B Xingu III, com motores ainda mais potentes (PT6A-42), porém não chegou a ser produzida em série. A aeronave teve grande aceitação internacional que a França utiliza o Xingu desde 1983 para treinamento de pilotos, e a Armée de l'Air (Força Aérea Francesa) decidiu modernizar suas aeronaves Xingu, prolongando sua vida operacional até 2025. O Xingu ficará em operação por 42 anos consecutivos em uma Força, um fato raríssimo no setor!









Rene Maciel / Rock Aircraft
Editor e Piloto Privado.

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