quinta-feira, 6 de setembro de 2018

MiG Pilot: A fuga final de Belenko


          Em 06 de setembro de 1976, o Ten.Av. Viktor Belenko desertou da URSS pilotando um MiG 25 Foxbat “zerado”de tão novo. Belenko não foi o único piloto a ter desertado da URSS desta maneira, nem foi ele o primeiro a desertar em um país do Bloco Soviético, porém esta foi a primeira vez que especialistas ocidentais foram capazes de examinar de perto o “tal” avião, que intrigava os EUA na época, o que revelou muitos segredos e surpresas. Belenko também entregou o manual do MiG-25 "Foxbat", esperando ser de ajuda e assistência a pilotos americanos na avaliação e testes da aeronave. Sua deserção causou danos significativos para a Força Aérea Soviética. 



          Durante a Guerra Fria houve muitas deserções por pilotos e tripulações. Além de pilotos desertarem por sua própria vontade, houve esforços do ocidente para incentivar deserções, começando com a Operação Moolah dos EUA, que visaram incentivar os pilotos de MiG-15 na Coreia do Norte a desertarem. O Kuomintang governando Taiwan ofereceu ouro para pilotos desertores chineses, e a Operação Dinheirinho Rápido foi similar à Operação Moolah, embora destinada a incentivar a deserção de um piloto de MiG-21 no Vietnã do Norte. Operação Diamante foi uma operação israelense semelhante à Operação Dinheirinho Rápido, e foi bem sucedida na deserção de um piloto iraquiano com seu MiG-21.

          Em março e maio de 1953, dois pilotos da Força Aérea polonesa voaram um MiG-15 para a Dinamarca. Mais tarde, em 1953, o piloto norte-coreano No Kum Sok voou no seu MiG-15 para uma base aérea americana na Coreia do Sul; este MiG está em exposição permanente no Museu Nacional da Força Aérea dos EUA. Anos mais tarde um capitão soviético Aleksandr Zuyev voou seu MiG-29 para Trabzon, Turquia, em 20 de maio de 1989. Este MiG-29 foi prontamente devolvido para a URSS.
Ten.Av. Viktor Belenko

          Belenko decolou da base aérea de Chuguyevka a cerca de 300 km de Vladivostok em um voo de treino. Seguiu o plano de voo na primeira guinada, porém desceu e voou baixo para que nenhum radar o detectasse e saiu para o mar. Um radar japonês detectou o MiG-25 e então dois F-4EJ da 302º Esquadrão da Força Aérea Japonesa decolaram da Base Aérea de Chitose, perto de Sapporo.

          O mapa que Belenko possuía mostrava somente a Base de Chitose, a qual ele planejava inicialmente aterrissar. Ele esperava ser interceptado e escoltado por aviões até a base militar. Entretanto, o tempo estava bem nublado e o radar de solo não conseguiu identificar adequadamente o “Foxbat”. Tampouco as aeronaves que tinham decolado conseguiram localizá-lo.

          Com o combustível perto do fim e precisando aterrissar urgentemente, ele finalmente localizou o Aeroporto de Hakodate, a sul de Hokkaido.

          Belenko deu três voltas em Hakodate e aterrissou com apenas 30 segundos de combustível no tanque. O aeroporto de Hakodate era muito pequeno e curto para sua aeronave, e mesmo depois de ativar e soltar o paraquedas do avião, acabou avançando 240 metros após o fim da pista.

          A chegada do MiG-25 Japão foi incrível para planejadores militares do Ocidente. O governo Japonês, inicialmente, apenas permitiu que os Estados Unidos examinassem o avião e fizessem testes de radar e de motores do chão, mas, posteriormente, convidou-os a examinar o avião extensivamente. O MiG-25 foi desmontado para este efeito. Na questão do radar, descobriram que seu radar não era “look down/ shoot down”, ou seja, não fazia a varredura e nem travava alvos entre o solo e a aeronave. O avião foi movido pela aeronave de carga da Força Aérea dos EUA C-5 Galaxy de Hakodate para Base Aérea de Hyakuri em 25 de setembro. Por esta altura, especialistas haviam determinado que o avião era um interceptador, e não um caça-bombardeiro de superioridade aérea com grande manobrabilidade como se imaginava, pois tudo que se relacionava ao MiG-25 era um mistério para o ocidente. Estas informações tiveram grande valia para os engenheiros da Mcdonnell Douglas na finalização do projeto do caça de superioridade F-15.

          O governo Japonês estabeleceu um plano em 2 de outubro para retornar a aeronave em caixas do porto de Hitachi e taxar os soviéticos em US$40.000 por danos e serviços de desmonte e empacotamento em Hakodate. Os Soviéticos, sem sucesso, tentaram negociar um retorno através de uma de suas próprias aeronaves, a Antonov An-22, e tentou organizar uma rigorosa inspeção das caixas, mas o Japão recusou ambas as demandas e os Soviéticos finalmente se submeteram aos termos japoneses em 22 de outubro. A aeronave foi movida de Hyakuri para o porto de Hitachi em 11 de novembro em um comboio de carretas. Trinta caixas embarcaram a bordo do navio de carga soviético Taigonos em 15 de novembro de 1976, e chegou em cerca de três dias em Vladivostok. Uma equipe de técnicos Soviéticos foram autorizados a visualizar subconjuntos das peças em Hitachi, e ao constatar que faltavam 20 peças da aeronave, os Soviéticos tentaram cobrar do Japão US$10 milhões. Não se tem conhecimento de que nem os japoneses nem os soviéticos tenham pago alguma quantia referente a isto.

          A Belenko foi concedido asilo pelo Presidente dos EUA, Gerald Ford, além de um fundo fiduciário, garantindo-lhe uma vida muito confortável nos anos posteriores. O Governo dos Estados Unidos o entrevistaram por até cinco meses depois de sua deserção e o empregou como consultor para vários anos. Em 1980, o Congresso dos EUA autorizou a cidadania para Belenko. Depois de sua deserção, ele co-escreveu em 1980 uma autobiografia, “MiG Pilot: The Final Escape of Lieutenant Belenko” com o escritor John Barron. 

          Durante seus anos nos Estados Unidos, Belenko se casou com uma professora de música, e se tornou pai de dois filhos. Mais tarde, ele se divorciou. Ele também tem um filho de seu primeiro casamento. Belenko nunca se divorciou de sua esposa russa.Após a dissolução da União Soviética, ele visitou Moscou em 1995 a negócios, porém nada se sabe se ele reencontrou com sua família russa.









Rene Maciel / Rock Aircraft.
Editor e Piloto privado.

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