sábado, 17 de novembro de 2018

Clássicos Coadjuvantes (parte 1): PIONEIRO MARCADO

De Havilland DH-106 Comet 1 (Foto www.baesystems.com).

  Algumas aeronaves a jato marcaram época, mas não se tornaram sucessos comerciais. Porém, garantiram seu lugar na história da aviação. Atualmente, a maioria dessas aeronaves só podem serem vistas em museus, feiras de aviação ou em shows aéreos. No entanto, proliferam na internet através de entusiastas com o intuito de coletar informações sobre o paradeiro de cada avião produzido e, dessa forma, manter viva sua memória. Outros vão além e mobilizam-se para angariar fundos com intuito de restaurá-los e deixá-los prontos para voar. Nesta série de matérias iremos destacar algumas dessas aeronaves:


PIONEIRO MARCADO
De Havilland DH-106 Comet 1 (Foto www.baesystems.com).

  O britânico De Havilland DH-106 Comet foi o primeiro jato comercial da história da aviação e o primeiro a entrar em linha de produção. Alçou voo pela primeira vez em 27 de julho de 1949 e logo se tornou um grande sucesso de vendas, pois desbancava com facilidade qualquer concorrente movido por motores convencionais (a pistão), seja pelo menor tempo de voo, como também pelos níveis mais altos de cruzeiro (menos turbulentos), e índices de ruídos internos inferiores tanto na cabine de passageiros quanto no cockpit. 

  O protótipo foi equipado com quatro motores De Havilland Ghost MK1, de 5.000 lb cada. Pelo projeto original, no entanto, o Comet seria impulsionado por reatores Rolls Royce Avon, mais potentes, mas que não ficaram prontos para o lançamento da aeronave. Para compensar a perda de potência, os engenheiros decidiram utilizar materiais mais leves na fuselagem, porém, mal sabiam eles que esta substituição traria consequências catastróficas, com a explosão de dois aviões em pleno voo. 
Rolls Royce Avon Comet 1 (Foto www.baesystems.com).

  Para chegar a esta conclusão, os investigadores coletaram os destroços de uma das aeronaves e a remontaram em Farnborough, na Inglaterra. Resultado final: fadiga de material, além de problemas associados à concepção das janelas de passageiros, retangulares e muito grandes, que criavam pontos de tensão nas extremidades. A De Havilland corrigiu o projeto substituindo, entre outras coisas, as janelas retangulares por ovaladas e menores. Os acidentes reduziram drasticamente as vendas do Comet que, apesar de tudo, se manteve no ar por pelo menos 30 anos, especialmente a da última versão, o Comet IV. Mais tarde, algumas aeronaves foram transformadas para atender missões de vigilância marítima pela Royal Air Force (RAF) e ganharam a designação de Hawker Siddeley Nimrod, que prestou serviço até 28 de junho de 2011, ou seja, quase 62 anos após o primeiro voo do protótipo. 
De Havilland DH-106 Comet 4 (Foto wikimedia / Michael J. Freer).

No total, 114 destes aviões foram produzidos no Reino Unido com o primeiro jato entregue oficialmente no dia 2 de maio de 1952 à British Overseas Airways Corporation (BOAC), que foi uma das três companhias lançadoras do modelo, ao lado da Dan-Air London e da sul-americana Aerolíneas Argentinas, que inclusive, chegou a operar o jato no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.









Por Robert Zwerdling – Matéria AERO Magazine nº203.
Adaptado por Rene (Rock & Aircraft).

Nenhum comentário:

Postar um comentário