sábado, 24 de novembro de 2018

Clássicos Coadjuvantes (parte 2): O soviético


            O Tupolev Tu-104 foi o primeiro avião comercial soviético movido a turbojato. Foi o segundo a entrar em serviço regular, atrás do britânico de Havilland Comet, e era o único jato operacional no mundo entre 1956 e 1958, quando o jato britânico foi proibido de voar devido a questões de segurança. 


            No início da década de 1950, a companhia aérea Aeroflot, da União Soviética, precisava de um avião de passageiros moderno com melhor capacidade e desempenho do que as aeronaves com motores a pistão então em operação. O pedido foi acatado pelo escritório de design e projetos da Tupolev, que baseou seu novo avião em seu bombardeiro estratégico Tu-16 'Badger'. As asas, os motores e as superfícies da cauda do Tu-16 foram mantidos, mas o novo design adotou uma fuselagem mais larga e pressurizada, projetada para acomodar 50 passageiros. O protótipo voou pela primeira vez em 17 de junho de 1955, e era equipado com um paraquedas de arrasto para auxiliar na frenagem, o que encurtava a distância de pouso em até 400 metros (1.300 pés), uma vez que na época muitos aeroportos não tinham pistas suficientemente longas.
Tu-104 Foto Mike Machat

            O Tu-104 era movido por dois turbojatos Mikulin AM-3 colocados nas raízes das asas (remotamente parecido com a solução usada pela De Havilland no Comet). A tripulação consistia em cinco pessoas: dois pilotos, um navegador (colocado no nariz envidraçado), um engenheiro de voo e um operador de rádio (o operador de rádio foi posteriormente eliminado). O avião despertou grande curiosidade pelo seu luxuoso interior "vitoriano"  (assim chamado por alguns observadores do hemisfério ocidental) devido aos materiais usados: mogno, cobre e renda. Embora alguns dizem que os ocidentais ficaram surpresos com a chegada do Tu-104 em Londres durante uma visita de 1956, o avião já havia sido revelado no Air Show de Tushino em julho de 1955.

            O jato soviético foi considerado difícil de pilotar, já que era pesado em controles e bastante rápido na aproximação final para pouso, e em baixas velocidades ele mostrava uma tendência a estolar, uma característica comum em asas muito enflechadas. O registro de segurança do avião era muito pobre, mas comparável a outros aviões a jato da época. O Tu-104 não era confiável, era pesado e muito instável (Dutch Roll). A aeronave tinha um problema de subir abruptamente ganhando elevada altura, e em seguida, descia em um mergulho vertical descontrolado. Pelo menos duas catástrofes ocorreram por esse motivo, fazendo com que a Tupolev alterasse o design da aeronave e as instruções de operação, porém o problema ainda permanecia. A Aeroflot aposentou o Tu-104 do serviço civil em março de 1979, após um acidente fatal em Moscou. Depois disso, várias aeronaves foram transferidas para as forças armadas soviéticas, que as usaram como transporte de pessoal e para treinar cosmonautas em gravidade zero. No entanto, depois de um acidente com um Tu-104, em fevereiro de 1981, onde 52 pessoas morreram (17 das quais eram do Exército e da Marinha), o avião foi permanentemente removido do serviço. O último voo do Tu-104 foi um voo de traslado para o Museu de Aeronaves Ulyanovsk em 1986.

            No total foram produzidos 201 exemplares até 1960, quando sua produção foi encerrada. A experiência com o Tu-104 levou a Tupolev a desenvolver o primeiro avião de passageiros fabricado em série com motores do tipo turbofan, o Tupolev Tu-124, projetado para os mercados locais e, posteriormente, o mais bem sucedido comercialmente o Tu-134. 










Rene Maciel / Rock Aircraft.
Editor e Piloto privado.




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